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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A cabana - Ultimos textos



Pag. 129
De novo Mack olhou para a água e de volta para Jesus.
- Então por que é tão difícil para mim?
-  Diga do que você tem medo, Mack.
-  Bem,  vejamos.  Do  que  tenho medo?  Bem,  tenho medo  de  parecer  idiota.  Tenho medo  de  você  estar  se  divertindo  às  minhas  custas  e  de  afundar  como  uma  pedra.
Imagino que...
-  Exatamente  -  interrompeu Jesus.  - Você  imagina. A  imaginação é uma capacidade poderosa!  É  um  poder  que  o  torna  muito  parecido  conosco. Mas,  sem  sabedoria,  a imaginação  é  uma  professora  cruel. Quero  lhe  fazer  uma  pergunta:  você  acha  que  os humanos foram criados para viver no presente, no passado ou no futuro?
-  Bom - disse Mack, hesitando. - Acho que a resposta mais óbvia é que fomos criados para viver no presente. Estou errado?
Jesus deu um risinho.
-  Relaxe,  Mack,  isso  não  é  um  teste,  é  uma  conversa.  Você  está  corretíssimo,  por  sinal.  Mas  agora  me  diga  onde  você  passa  a  maior  parte do tempo em sua imaginação: no presente, no passado ou no futuro?
Mack pensou um momento antes de responder.
-  Acho  que  eu  passo muito  pouco  tempo  no  presente.  Passo  grande  parte  dele  no passado, mas na maior parte do tempo estou tentando adivinhar o futuro.
-  Você  não  é  diferente  da maioria  das  pessoas. Quando  estou  com  vocês,  vivo  no presente. Não no passado, se bem que muita coisa pode ser lembrada e aprendida ao se olhar  para  trás,  mas  somente  para  uma  visita,  não  para  uma  estada  demorada.  E certamente não vivo no futuro que você visualiza ou imagina. Mack, você percebe que sua imaginação do futuro, que é quase sempre ditada por algum tipo de medo, raramente me coloca lá com você, se é que me coloca?
De  novo Mack  parou  e  pensou.  Era  verdade.  Ele  passava  um  bocado  de  tempo  se aborrecendo e se preocupando com o futuro, e em sua imaginação o futuro geralmente era muito  sombrio,  deprimente  e mesmo  horrível.  E  Jesus  também  estava  correto  ao dizer que, do modo como Mack imaginava o futuro, Deus estava sempre ausente.
-  Por que faço isso? - perguntou Mack.
É  sua  tentativa desesperada de conseguir algum controle  sobre algo que você não pode controlar. É  impossível  ter  poder  sobre  o  futuro,  porque  ele não  é  real,  e  jamais  será.
Você  tenta brincar de Deus  imaginando que o mal que  teme pode  se  tornar  realidade e depois tenta fazer planos para evitar aquilo que teme.
-  É  basicamente  o  que  Sarayu  esteve  dizendo. Então  por  que  tenho  tanto medo  da vida?
-  Porque  não  acredita. Não  sabe  que  nós  o  amamos. A  pessoa  que  vive  dominada pelos medos não encontra liberdade no meu amor. Não estou falando de medos racionais, ligados a perigos reais, e sim de medos  imaginários, e especialmente da projeção desses medos no  futuro. À medida que dá  lugar  a esses medos, você não acredita que eu  sou bom, nem sabe, no fundo do seu coração, que eu o amo. Você pode até falar disso, mas não sabe.
Mack olhou de novo para a água e soltou um suspiro enorme, que saiu do fundo da alma.
- Há um longo espaço para eu percorrer.

Pag. 133
-  Isso  é  porque,  como  a maioria  dos  seres  humanos,  você  procura  realizar-se  pelos seus  feitos,  e  Nan,  como  a  maioria  das  mulheres,  pelos  relacionamentos.  É  mais naturalmente  a  linguagem  dela.  -  Jesus  parou  para  contemplar  uma  águia-pescadora mergulhar no  lago a menos de 20 metros deles e, a seguir,  lentamente elevar-se com as garras segurando uma grande truta que ainda lutava para escapar.
-  Isso  significa  que  eu  não  tenho  saída?  Realmente  quero  o  que  vocês  três compartilham, mas não faço idéia de como chegar lá.
- Há  muita  coisa  obstruindo  o  seu  caminho  agora,  Mack,  mas  você  não  precisa continuar vivendo assim.
-  Sei que isso é mais verdadeiro agora que Missy se foi, mas nunca foi fácil para mim.
- Você  não  está  simplesmente  lidando  com  o  assassinato  de  Missy.  Há  uma reviravolta maior  que  torna  difícil  compartilhar  da  nossa  vida. O mundo  está  partido porque no Éden vocês abandonaram o  relacionamento conosco para afirmar a própria independência. A maioria dos humanos expressou  isso voltando-se para o trabalho das mãos e para o suor do rosto em busca da identidade, do valor e da segurança. Ao optar por definir o que é bom e o que é mau, vocês buscam determinar seu próprio destino.
Foi essa reviravolta que causou tanta dor.

Pag. 136
Jesus deu um risinho.
-  Boas  intenções,  má  idéia.  Não  deixe  de  me  contar  como  a  coisa funciona  para  você,  se  escolher  esse  caminho.  -  Parou  e  ficou  sério.  -  É verdade, minha vida não se destinava a tornar-se um exemplo a copiar. Ser meu seguidor não significa tentar "ser como Jesus", significa matar sua independência. Eu vim lhe dar vida, vida real, minha vida. Nós viveremos nossa vida dentro de você, de modo que você comece  a  ver  com  nossos  olhos,  ouvir  com  nossos  ouvidos,  tocar  com  nossas mãos  e pensar como nós. Mas nunca  forçaremos essa união. Se você quiser  fazer as coisas do seu jeito, tudo bem. O tempo está a nosso favor. E, por falar em tempo
- Jesus virou-se e apontou  para  o  caminho  que  levava  até  a  floresta  no  fim  da  clareira  -,  você  tem  um compromisso. Siga aquele caminho e entre onde ele acaba. Vou esperar aqui.

Pag. 154
Mack se virou para a mulher.
- Meus outros filhos estão realmente aqui?
-  Estão e não estão. Só Missy está realmente aqui. Os outros estão sonhando e cada um  terá  uma  vaga  lembrança,  alguns  com  mais  detalhes  do  que  outros.  Este  é  um momento muito pacífico de sono para cada um, menos para Kate. Este sonho não será fácil para ela. Mas Missy está totalmente acordada. 

Pag . 173
Ficaram em silêncio por alguns instantes.
- Missy não é especial? - Ela balançou a cabeça sorrindo. - Minha nossa, gosto especialmente daquela menina.
-  Eu  também!  - Mack  deu  um  sorriso  largo  e  pensou  na  sua  princesa  atrás  da  cachoeira.Princesa? Cachoeira? Espere um minuto! Papai ficou olhando enquanto as peças se encaixavam.
- Obviamente você conhece o  fascínio da minha  filha por cachoeiras e pela  lenda da princesa
Multnomah.
-  Papai  assentiu.  -  É  disso  que  se  trata?  Ela  teve  de morrer  para  que  você me
mudasse?
-  Espere aí, Mack. - Papai se inclinou. - Não é assim que eu faço as coisas.
- Mas ela adorava tanto aquela história!
-  Claro que sim. Por isso ela foi capaz de entender o que Jesus fez por ela e por toda a raça humana. As histórias sobre uma pessoa disposta a  trocar sua vida pela de outra são um  fio de ouro em seu mundo e revelam tanto suas necessidades quanto o meu coração.
- Mas se ela não tivesse morrido eu não estaria aqui agora...
- Mack, eu crio um bem  incrível a partir de  tragédias  indescritíveis, mas  isso não  significa que as orquestre. Nunca pense que o fato de eu usar algo para um bem maior significa que eu o provoquei ou que preciso dele para realizar meus propósitos. Essa crença só vai levá-lo a idéias falsas a meu respeito. A graça não depende da existência do sofrimento, mas onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras.
-  Na verdade, isso é um alívio. Eu não suportaria pensar que minha dor poderia ter cortado a vida dela.
-  Ela  não  foi  seu  sacrifício, Mack.  Ela  é  e  sempre  será  sua  alegria.  Este  é  um  propósito
suficiente para Missy.
Mack se recostou de novo na cadeira, examinando a vista da varanda.
-  Estou me sentindo preenchido!

-pag. 184
- Que regras são essas, Mackenzie?
- Você sabe, todas as coisas que as Escrituras dizem que devemos fazer.
- Certo... - disse ela com alguma hesitação. - E quais são elas?
- Você sabe - respondeu ele com um certo sarcasmo. - Fazer o bem e evitar o mal, ser caridoso com os pobres, ler a Bíblia, rezar e ir à igreja. Coisas assim.
-  Sei. E como isso funciona para você?
Ele riu.
- Bom, nunca  fiz nada disso muito bem. Tenho momentos melhores, mas  sempre há algo  com que  estou  lutando ou  algo que me  faz  sentir  culpado. Acabei de pensar que precisava me esforçar mais, porém acho difícil manter essa motivação.
- Mackenzie! - Seu tom era de censura, as palavras voando com afeto. - A Bíblia não lhe diz para seguir regras. Ela é uma imagem de Jesus. Ainda que as palavras possam lhe dizer como Deus é e o que Ele pode querer de você, é impossível fazer isso sozinho. A vida está Nele e em mais ninguém. Minha nossa, será possível que você se ache capaz de viver a retidão de Deus sozinho?
- Bom,  acho  que  sim, mais  ou menos... 
-  disse  ele  sem  graça.
- Mas  você  tem  de admitir que as regras e os princípios são mais simples do que os relacionamentos.
- É  verdade  que  os  relacionamentos  são  muito  mais  complicados do que as regras, mas as regras
nunca vão  lhe  dar  as  respostas  para  as questões profundas do coração. E nunca irão amar você.
Mergulhando a mão na água, ele brincou, vendo a repercussão de seus movimentos.
- Estou  percebendo  como  tenho  poucas  respostas...  para  qualquer  coisa.  Você  me virou de cabeça
para baixo e pelo avesso, ou sei lá o quê.
- Mackenzie, a religião tem a ver com respostas certas e algumas dessas respostas são de fato certas. Mas eu tenho a ver com o processo que leva você à resposta viva, e só ele é capaz de mudá-lo por dentro. Há muitas pessoas inteligentes que dizem um monte de coisas certas a partir do cérebro porque aprenderam com alguém quais são as respostas certas.
Mas essas pessoas não me conhecem. Assim, na verdade, como as respostas delas podem ser certas, mesmo que estejam certas? - Ela sorriu. - Ficou confuso? Mas pode ter certeza: mesmo que possam estar certas, elas estão erradas.
- Entendo  o  que  você  está  dizendo.  Eu  fiz  isso  durante  anos,  depois  da  escola dominical. Tinha as respostas certas algumas vezes, mas não conhecia vocês. Este fim de semana,  compartilhando  a  vida  com  vocês,  foi muito mais  esclarecedor  do  que  todas aquelas respostas.
Continuaram a se mover preguiçosamente na água.
- Então verei você de novo? - perguntou ele, hesitando.
- Claro. Você pode me ver numa obra de arte, na música, no silêncio, nas pessoas, na Criação, mesmo na sua alegria e na sua  tristeza. Minha capacidade de me comunicar é ilimitada,  vivendo  e  transformando,  e  tudo  isso  sempre  estará  sintonizado  com  a bondade  e o  amor de Papai. E você  irá me ouvir e me ver na Bíblia de modos novos. Simplesmente não procure regras e princípios. Procure o relacionamento: um modo de estar conosco.
- Mesmo assim não será o mesmo do que ter você na proa do meu barco.
- Não, mas será muito melhor do que você pode  imaginar, Mackenzie. E, quando você finalmente dormir neste mundo, teremos uma eternidade juntos, face a face.
E então ela sumiu. Apesar de ele saber que não havia sumido de verdade.
-  Então,  por  favor,  ajude-me  a  viver  na  verdade  -  disse  Mack  em  voz alta. "Talvez isso seja uma oração", pensou.

Pag. 188
- Deixe-me  responder  com  uma  pergunta.  Por  que  você  acha  que nós criamos os Dez Mandamentos?
De  novo Mack  estava  com  o  garfo  a  meio  caminho  da  boca,  mas  mesmo  assim mastigou o bocado enquanto pensava na resposta.
- Acho, pelo menos foi o que me ensinaram, que é um conjunto de regras que vocês esperavam que os humanos obedecessem para viver com retidão e em estado de graça perante vocês.
Se  isso  fosse verdade,  e não  é  -  respondeu Sarayu —, quantos você  acha que viveram com retidão suficiente para entrar em nossas boas graças?
- Não muitos, se as pessoas são como eu.
- Na  verdade,  só  um  conseguiu:  Jesus.  Ele  obedeceu  a  letra  da  lei  e  realizou completamente  o  espírito  dela. Mas  entenda, Mackenzie:  para  fazer  isso,  ele  teve  de confiar totalmente em mim e depender totalmente de mim.
-  Então por que vocês nos deram esses mandamentos?
- Na verdade, queríamos que vocês desistissem de  tentar ser  justos sozinhos. Era um espelho para revelar como o rosto fica imundo quando se vive com independência.
- Mas  tenho  certeza  de  que  vocês  sabem  que  há muitos  que  acham  que  se  tornam justos seguindo as
regras.
- Mas  é  possível  limpar  o  rosto  com  o mesmo  espelho  que mostra  como você  está sujo? Não há misericórdia nem graça nas regras, nem mesmo para um erro. Por isso Jesus realizou todas elas por vocês, para que elas não tivessem mais poder sobre vocês.Agora ela estava com força total, as feições crescendo e movendo-se.
- Mas  tenha em mente que, se você viver sua vida sozinho e de forma  independente, a promessa é vasia.
 Jesus afastou a exigência da lei. Ela não tem mais poder de acusar oucomandar. Jesus é a promessa e o
cumprimento.
-  Está  dizendo  que  não  preciso  seguir  as  regras? 
-  Agora  Mack  havia  parado completamente de comer e estava concentrado na conversa.
-  Sim. Em Jesus você não está sob nenhuma lei. Todas as coisas são legítimas.
- Não pode estar falando sério! - gemeu Mack.
-  Criança - interrompeu Papai -, você ainda não ouviu nada.
- Mackenzie - continuou Sarayu - só têm medo da liberdade os que não podem confiar que nós vivemos neles. Tentar manter a lei é na verdade uma declaração de independência, um modo de manter o controle.
-  É  por  isso  que  gostamos  tanto  da  lei?  Para  nos  dar  algum  controle?  -  perguntou Mack.
É muito pior do que  isso - retomou Sarayu.
- Ela dá o poder de  julgar os outros e de  se sentir  superior  a  eles. Vocês  acreditam  que  estão  vivendo  num  padrão mais  elevado  do  que aqueles a quem vocês  julgam. Aplicar  regras,  sobretudo em  suas expressões mais  sutis, como responsabilidade e expectativa, é uma tentativa inútil de criar a certeza a partir da incerteza. E, ao  contrário  do  que  você  possa  pensar,  eu  gosto  demais  da  incerteza. As  regras  não  podem trazer a liberdade. Elas só têm o poder de acusar.
-  Uau!  -  De  repente  Mack  percebeu  o  que  Sarayu  havia  dito.
-  Está  dizendo  que  a responsabilidade e a expectativa são apenas outra forma de regras? Ouvi direito?
-  É - exclamou Papai de novo. - Agora chegamos ao ponto: Sarayu, ele é todo seu!
Mack procurou concentrar-se em Sarayu, o que não era uma tarefa simples.
Sarayu sorriu para Papai e de novo para Mack. Começou a falar lenta e decididamente:
-  Mackenzie, eu sempre prefiro um verbo a um substantivo. Parou e esperou. Mack não tinha
muita certeza de ter entendido.
-  Hein?
-  Eu  -  ela  abriu  as  mãos  para  incluir  Jesus  e  Papai  -  sou  um  verbo. Sou  o  que  sou.  Serei  o  que  serei.  Sou  um  verbo!  Sou  viva,  dinâmica, sempre ativa e em movimento. Sou um ser-verbo. Mack  tinha  uma  expressão  vazia  no  rosto.  Entendia  as  palavras, mas  ainda  não  achava  o sentido.
-  E,  como  minha  essência  é  um  verbo  -  continuou  ela  -,  sou  mais  ligada  a  verbos  do  que  a  substantivos.  Verbos  como  confessar,  arrepender-se,  viver,  amar,  responder,  crescer,  colher,  mudar,  semear,  correr, dançar,  cantar  e  assim  por  diante.  Os  humanos,  por  outro  lado,  gostam de  pegar  um  verbo  vivo  e  cheio  de  graça  e  transformá-lo  num  substantivo  ou  num  princípio  morto  que  fede  a  regras.  Os  substantivos existem  porque  existe  um  universo  criado  e  uma 
realidade física, mas se  o  universo  for  apenas  uma  massa  de  substantivos,  ele  está  morto.A  não  ser  "eu  sou",  não  existem  verbos  e  os  verbos  são  o  que  torna  o universo vivo.
-  E...  -  Mack  ainda  estava  lutando,  mas  pareceu  que  um  brilho  de luz  começava  a  iluminar  seu  pensamento. 
  -  E  isso  significa  exatamente o quê? Sarayu pareceu não se perturbar com sua falta de entendimento.
-  Para que alguma coisa se mova da morte para a vida, você precisa colocar algo vivo e móvel na mistura. Passar de uma coisa que é apenas um substantivo para algo dinâmico e imprevisível, para algo vivo e no tempo presente - um verbo -, é mover-se da lei para a graça. Posso dar alguns exemplos?
-  Por favor. Sou todo ouvidos.
Jesus deu um risinho e Mack piscou para ele antes de se voltar para Sarayu. A sombra levíssima de um sorriso atravessou o rosto dela enquanto retomava:
-  Então  vamos  usar  suas  duas  palavras:  responsabilidade  e  expectativa.  Antes  que suas  palavras  se  tornassem  substantivos,  eram  nomes  que  continham  movimento  e experiência: a capacidade de reagir e a prontidão. Minhas palavras são vivas e dinâmicas, cheias de vida e possibilidades. As  suas  são mortas, cheias de  leis, medo e  julgamento.
Por isso você não encontrará a palavra responsabilidade nas Escrituras.
- Minha nossa! - Mack franziu a testa, começando a perceber aonde isso ia dar.
- Por outro lado, nós a usamos um bocado.
Ela continuou:
A  religião  usa  a  lei  para  ganhar  força  e  controlar  as  pessoas  de  que precisa  para  sobreviver.  Eu,  ao  contrário,  dou  a  capacidade  de  reagir  e sua  reação  é  estar  livre  para  amar  e  servir  em  todas  as  situações.  Por isso,  cada  momento  é  diferente,  único  e  maravilhoso.  Como  sou  sua capacidade  de  reagir  livremente,  tenho  de  estar  presente  em  vocês.  Se eu  simplesmente  lhes  desse  uma  responsabilidade,  não  teria  de  estar com  vocês.  A  responsabilidade  seria  uma  tarefa  a  realizar,  uma  obrigação a cumprir, algo para vencer ou fracassar.
- Minha nossa, minha nossa - disse Mack outra vez, sem muito entusiasmo.
Usemos  o  exemplo  da  amizade  e  veremos  que  remover  o  elemento  de  vida  de  um substantivo pode alterar um relacionamento. Mack, se você e eu somos amigos, há uma prontidão  dentro  de  nosso  relacionamento.  Quando  nos  vemos  ou  quando  estamos separados, há a prontidão de estarmos  juntos, de  rirmos e  falarmos. Essa prontidão não tem definição concreta: é viva, dinâmica, e tudo que emerge do fato de estarmos juntos é um dom único que não é compartilhado por mais ninguém. Mas o que acontece se eu mudar  "prontidão"  por  "expectativa",  verbalizada  ou  não?  Subitamente  a  lei  entra  no nosso  relacionamento. Agora você  espera que  eu  aja de um modo que  atenda  às  suas expectativas. Nossa amizade viva se deteriora rapidamente e se  torna uma coisa morta, com  regras e exigências. Não  tem mais a ver com nós dois, mas com o que os amigos devem fazer ou com as responsabilidades de um bom amigo.
- Ou  -  observou Mack  -  com  as  responsabilidades  de marido,  de  pai,  empregado ou qualquer outra coisa. Entendi. Prefiro viver na prontidão.


Pag. 226
Então ouviu Nan dizer que o acidente havia acontecido na noite de sexta-feira.
- Não foi no domingo? - perguntou.
-  Claro que não! Foi na noite de sexta-feira que trouxeram você para cá de helicóptero.
-  As  palavras  dela  o  confundiram  e  por  um  momento  ele  se  perguntou  se  os acontecimentos  na  cabana  teriam  sido  apenas  um  sonho.  "Talvez  fosse  um  daqueles deslocamentos temporais de Sarayu", pensou.

Nota:

  Destaquei este texto porque explica o que realmente aconteceu. O Mack estava em coma no Hospital e seu espirito viveu uma experiência fora do corpo, por isso na página 154 ele fala que a Missy estava lá mas os outros estavam em sonho.

sábado, 25 de setembro de 2010

A cabana - Novos Textos


A Intenção não é comentar como fiz na primeira parte, mas através do grifo destacar a grande mensagem do texto.

Página 95
Mack  ficou chocado diante da cena.  Jesus deixara  cair uma grande  tigela com  algum  tipo de massa ou molho no chão, e a coisa tinha se espalhado por toda parte. A barra da saia de Papai e seus pés descalços estavam cobertos pela massa gosmenta. Sarayu disse alguma coisa sobre a falta de jeito dos humanos e os três caíram na risada. Por fim, Jesus passou por Mack e voltou com toalhas e uma grande bacia de água. Sarayu já estava começando a limpar a sujeira do chão e dos armários, mas Jesus foi direto até Papai e, ajoelhando-se aos pés dela, começou a limpar a  frente de seu vestido. Gentilmente  levantou um pé de cada vez e colocou os dois na bacia, onde os limpou e massageou.
- Uuuuuh, isso é tãããão bom! - exclamou Papai.
Encostado  no  portal,  Mack  não  parava  de  pensar.  Então  Deus  era  assim  no relacionamento? Muito  linda  e  atraente!  Ele  sabia  que  ninguém  estava  em  busca  do culpado  pela  sujeira  do  chão,  pela  tigela  quebrada  ou  por  um  prato  que  não  seria compartilhado. Era óbvio que o que  realmente  importava era o amor que eles  sentiam uns pelos outros e a plenitude que esse amor  lhes  trazia. Balançou a cabeça. Como  isso era diferente da maneira como ele tratava seus entes queridos!
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Página 111
- Mackenzie, não existe conceito de autoridade superior entre nós, apenas de unidade. Estamos num círculo de relacionamento e não numa cadeia de comando. O que você está vendo  aqui  é  um  relacionamento  sem  qualquer  camada  de  poder.  Não  precisamos exercer poder um sobre o outro porque sempre estamos procurando o melhor. A hierarquia não faria sentido entre nós. Na verdade, isso é um problema de vocês, não nosso.
- Verdade? Como assim?
- Os humanos estão tão perdidos e estragados que para vocês é quase incompreensível que as pessoas possam trabalhar ou viver juntas sem que alguém esteja no comando.
- Mas qualquer instituição humana, desde as políticas até as empresariais, até mesmo o casamento, é governada por esse tipo de pensamento.
É a trama do nosso tecido social - declarou Mack.
- Que desperdício! - disse Papai, pegando o prato vazio e indo para a cozinha.
- Esse é um dos motivos pelos quais é tão difícil para vocês experimentar o verdadeiro relacionamento  -  acrescentou  Jesus.  -  Assim  que  montam  uma  hierarquia,  vocês precisam de regras para protegê-la e administrá-la, e então precisam de leis e da aplicação das leis, e acabam criando algum tipo de cadeia de comando que destrói o relacionamento, em  vez  de  promovê-lo.  Raramente  vocês  vivem  o  relacionamento  fora  do  poder.  A hierarquia impõe leis e regras e vocês acabam perdendo a maravilha do relacionamento que nós pretendemos para vocês.
- Bom - disse Mack com sarcasmo, recostando-se na cadeira. - Certamente parece que nos adaptamos muito bem a isso.
Sarayu foi rápida em responder:
- Não confunda adaptação com intenção, ou sedução com realidade.
- Então... ah, por  favor, poderia me passar mais um pouco dessa verdura?  ... Então nós fomos seduzidos por essa preocupação com a autoridade?
- De  certo modo,  sim!  -  respondeu Papai, passando o prato de verduras para Mack com uma certa relutância. - Só estou cuidando de você, filho.
Sarayu continuou:
-  Quando vocês escolhem a independência nos relacionamentos tornam-se perigosos uns para os outros. As pessoas se tornam objetos a serem manipulados ou administrados para  a  felicidade  de  alguém.  A  autoridade,  como  vocês  geralmente  pensam  nela,  é meramente a desculpa que o forte usa para fazer com que os outros se sujeitem ao que ele quer.
-  Ela  não  é  útil  para  impedir  que  as  pessoas  lutem  interminavelmente  ou  se machuquem?
- Às vezes. Mas num mundo egoísta também é usada para infligir grandes danos.
- Mas vocês não a usam para conter o mal?
- Nós respeitamos cuidadosamente as suas escolhas e por isso trabalhamos dentro dos seus sistemas, ao mesmo tempo que procuramos libertá-los deles - continuou Papai. - A Criação  foi  levada por um caminho muito diferente daquele que desejávamos. Em seu mundo,  o  valor  do  indivíduo  é  constantemente  medido  em  comparação  com  a sobrevivência do sistema, seja ele político, econômico, social ou  religioso; na verdade, de qualquer sistema. Primeiro uma pessoa, depois umas poucas e finalmente muitas são facilmente sacrificadas pelo bem e pela permanência do  sistema. De uma  forma ou de outra, isso está por trás de cada luta pelo poder, de cada preconceito, de cada guerra e de cada  abuso  de  relacionamento.  A  "vontade  de  poder  e  independência"  se  tornou  tão disseminada que agora é considerada normal.
- E não é?
- É  o  paradigma  humano  -  acrescentou  Papai,  após  retornar  com mais  comida.  – É como água para os peixes,  tão natural que permanece  sem  ser vista e questionada. É a matriz,  uma  trama  diabólica  em  que  vocês  estão  presos  sem  esperança,  mesmo  que completamente inconscientes da sua existência.
Jesus continuou:
-  Como  glória  máxima  da  Criação,  vocês  foram  feitos  à  nossa imagem.  Se  realmente  tivessem  aprendido  a  considerar  que  as  preocupações  dos  outros  têm  tanto  valor  quanto  as  suas,  não  haveria  necessidade de hierarquia.
Mack se recostou na cadeira, perplexo com as implicações do que ouvia.
-  Então vocês estão me dizendo que sempre que nós, humanos, usamos o poder para nos proteger...
-  Estão cedendo à matriz e não a nós - terminou Jesus:
E  agora  -  exclamou  Sarayu  -  completamos  o  círculo,  voltando  a  uma  das  minhas declarações iniciais: vocês, humanos, estão tão perdidos e estragados que não conseguem compreender um relacionamento sem hierarquia. Por isso acham que Deus se relaciona dentro de uma hierarquia, tal como vocês. Mas não somos assim.
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Página 121
- Antes você estava falando que os humanos declaram que as coisas são boas ou ruins sem conhecer? - perguntou Mack, sacudindo a terra de uma raiz.
- É. Estava falando especificamente da árvore do conhecimento do bem e do mal.
- A árvore do conhecimento do bem e do mal?
- Exato!  - declarou  ela.  - E  agora, Mackenzie, você  está  começando  a  entender  por que comer o fruto mortal daquela árvore foi tão devastador para a sua raça.
- Na  verdade  eu  nunca  havia  pensado muito  nisso  -  disse Mack,  intrigado.  – Então houve um jardim de verdade? Quer dizer, o Éden?
- Claro. Eu lhe disse que tenho uma queda por jardins.
-  Isso vai incomodar algumas pessoas. Tenho alguns amigos que não vão gostar disso - observou Mack, enquanto lutava com uma raiz teimosa.
- Não faz mal. Eu gosto muito deles.
Estou surpreso - disse Mack com um certo sarcasmo e sorriu para ela. Cravou a pá na terra,  pegando  com  a  mão  a  raiz  que  estava  por  cima.  -  Então  fale  da  árvore  do   conhecimento do bem e do mal.
-  É  disso  que  estávamos  falando  no  café  da  manhã.  Primeiro  quero fazer  uma  pergunta  a  você.  Quando  algo  lhe  acontece,  como  você  determina se é uma coisa boa ou ruim?
Mack pensou um momento antes de responder. - Bom, na verdade nunca pensei nisso. Acho que eu diria que algo é bom quando eu gosto, quando faz com que eu me sinta bem ou me dá um sentimento de segurança. Por outro lado, eu diria que uma coisa é ruim se me causa dor ou custa algo que eu quero.
- Então é bastante subjetivo?
- Acho que sim.
- E até que ponto você confia em sua capacidade de discernir o que é bom ou o que é
ruim para você?
-  Para ser honesto, acho que tenho razão de ficar com raiva quando alguém ameaça o
que  eu  considero  "bom",  o  que  eu  acho  que mereço. Mas  não  sei  realmente  se  existe algum fundamento lógico para decidir o que é bom ou ruim, a não ser o modo como algo ou alguém me afeta. - Ele parou para descansar e recuperar o fôlego. - Tudo parece relacionado  comigo  e  com  meus  interesses,  acho.  E  minha  ficha  também  não  é  das melhores.  Algumas  coisas  que  eu  inicialmente  achava  boas  acabaram  sendo terrivelmente destrutivas, e outras que eu achava ruins, bem, acabaram sendo...Ele hesitou antes de finalizar o pensamento, mas Sarayu o interrompeu.
-  Então  é  você  que  determina  o  que  é  bom  e  o  que  é  ruim.  Você  se torna  o  juiz.  E,  para  tornar  as  coisas  ainda  mais  confusas,  aquilo  que você  determina  que  é  bom  acaba  mudando  com  o  tempo  e  as  circunstâncias.  E,  pior  ainda,  há  bilhões  de  vocês,  cada  um  determinando  o  que é  bom  e  o  que  é  ruim.  Assim,  quando  o  seu  bom  e  o  seu  ruim  se  chocam com os do vizinho, seguem-se brigas, discussões e até guerras.
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- Agora posso ver  - confessou  - que gastei a maior parte do meu  tempo e da minha
energia  tentando adquirir o que eu achava que era bom, como a segurança financeira, a saúde, a aposentadoria, ou sei lá o quê. E gastei uma quantidade gigantesca de energia e preocupação temendo o que determinei que era mau. - Mack deu um suspiro fundo.
- Quanta  verdade  há  nisso!  -  disse Sarayu  com  gentileza.  - Lembre-se.  Isso  permite que vocês brinquem de Deus em sua  independência. Por essa razão, uma parte de vocês prefere não me ver. E vocês não precisam de mim para  criar  sua  lista do que  é bom  e ruim. Mas  precisam  de mim  se  tiverem  qualquer  desejo  de  parar  com  essa  ânsia  tão insana de independência.
- Então há algum modo de consertar?
- Você deve desistir de  seu direito de decidir o que  é bom  e  ruim  e  escolher viver
apenas em mim. É um comprimido difícil de engolir. Para isso você deve me conhecer o bastante, a ponto de confiar em mim e aprender a se entregar à minha bondade inerente.
Mack teve a impressão de que Sarayu se virou para ele.
-  Mackenzie, o mal é uma palavra que usamos para descrever a ausência de Deus,
assim como usamos a palavra escuridão para descrever a ausência de Luz, ou morte para descrever a ausência de Vida. Tanto o mal quanto a escuridão só podem ser entendidos em relação à Luz e ao Bem. Eles não têm existência real. Eu sou a Luz e eu sou o Bem. Sou Amor e não há escuridão em mim. A Luz e o Bem existem realmente. Assim, afastar-se de  mim  irá  mergulhar  você  na  escuridãoDeclarar  independência  resultará  no  mal,  porque, separado de mim, você só pode contar consigo mesmo. Isso é morte, porque você se separou de mim, que sou a Vida.
-  Uau!  -  exclamou  Mack,  sentando-se  por  um  momento.  -  Isso  realmente  ajuda.  Mas  também  posso  ver  que  abrir  mão  dos  meus  direitos de independência não será um processo fácil. Poderia significar que...
Sarayu interrompeu a frase dele outra vez.
-  ... que de alguma forma o bem pode ser a presença do câncer ou a perda de ganhos financeiros, ou mesmo de uma vida.

sábado, 11 de setembro de 2010

A Cabana


Amigos,
Quero com esta publicação abrir um espaço para mostrar uma compreensão melhor para o Livro A Cabana.
Citarei sempre um texto do livro e tecerei algum comentário. Gostaria que você refletisse sobre o texto e se surgir alguma dúvida me coloco à disposição para esclarecer.

Bilhete :
Mackenzie
Já faz um tempo. Senti sua falta.
Estarei na cabana no fim de semana que vem, se você quiser me encontrar.
Papai
Assim, receber o bilhete assinado Papai, dizendo para encontrá-lo na cabana, causou-lhe um profundo impacto. Será que Deus escreve bilhetes? E por que na cabana - o ícone de sua dor mais profunda? Certamente Deus teria lugares melhores onde se encontrar com ele. Um pensamento sombrio chegou a atravessar sua mente: o assassino o estaria atraindo para longe com a intenção de deixar sua família desprotegida. Talvez fosse somente uma brincadeira cruel. Mas por que estava assinado "Papai"?
Por mais irracional que parecesse, Mack não conseguia deixar de pensar que talvez o bilhete viesse mesmo de Deus. Quanto mais pensava mais confuso e irritado ia ficando.Quem havia mandado a porcaria do bilhete? Fosse quem fosse, Mack tinha a sensação de que estavam brincando com ele. E, de qualquer modo, de que adiantava? Mas, apesar da raiva e da depressão, Mack sabia que precisava de respostas.
Percebeu que estava travado e que as orações e os hinos dos domingos não serviam mais, se é que já haviam servido. A espiritualidade do claustro não parecia mudar nada na vida das pessoas que ele conhecia, a não ser, talvez, na de Nan. Mas ela era especial.
Mack estava farto de Deus e da religião, farto de todos os pequenos clubes sociais religiosos que não pareciam fazer nenhuma diferença expressiva nem provocar qualquer mudança real. Mack certamente desejava mais.Porém não sabia que estava a ponto de conseguir um muito mais do que havia pedido.
Comentário :
Há comunidades evangélicas que tem reconhecido que apesar da grande freqüência nas Igrejas pouco tem conseguido transformar as pessoas. O que Mack está sentindo é o que ocorre com a maioria mas poucos se dão conta.

(Deus/Papai – falando com Mack)
- Se você quiser ir só um pouquinho mais fundo, poderíamos falar sobre a natureza da própria liberdade. Será que liberdade significa que você tem permissão para fazer o que quer? Ou poderíamos falar sobre tudo o que limita a sua liberdade. A herança genética de sua família, seu DNA específico, seu metabolismo, as questões quânticas que acontecem num nível subatômico onde só eu sou a observadora sempre presente. Existem as doenças de sua alma que o inibem e amarram, as influências sociais externas, os hábitos que criaram elos e caminhos sinápticos no seu cérebro. E há os anúncios, as propagandas e os paradigmas. Diante dessa confluência de inibidores multifacetados - ela suspirou -, o que é de fato a liberdade?
Mack ficou ali parado, sem saber o que dizer.
- Só eu posso libertá-lo, Mackenzie, mas a liberdade jamais pode ser forçada.
- Não entendo. Não estou entendendo o que você acaba de dizer.
Ela se virou e sorriu.
- Eu sei. Não falei para que você entendesse agora. Falei para mais tarde. No ponto em que estamos, você ainda não compreende que a liberdade é um processo de crescimento.
- Estendendo gentilmente as mãos sujas de farinha, ela segurou as de Mack e, olhando-o direto nos olhos, continuou: - Mackenzie, a Verdade irá libertá-lo, e a Verdade tem nome. Neste momento ele está na carpintaria, coberto de serragem. Tudo tem a ver com ele. E a liberdade é um processo que acontece dentro de um relacionamento com ele. Então todas essas coisas que você sente borbulhando por dentro vão começar a sair.
Comentário :
Todos os Mestres tem falado a mesma coisa : que não temos liberdade. Dentro de nós tem uma voz que nos conduz como se fosse A Matrix.
Quanto a frase : "...você ainda não compreende que a liberdade é um processo de crescimento."
Realmente precisamos crescer em compreensão para percebermos o que é liberdade.
Quanto ao relacionamento com Jesus(que ele cita), realmente é a única maneira de conseguirmos a liberdade, simbolizando um Mestre que possa nos orientar. Nas Igrejas isto foi considerado como se a salvação só vem por Jesus Cristo. Ela pode vir de diversas maneiras, inclusive como aconteceu com Eckhart Tolle, através de uma crise existencial.

(Deus/Papai – falando com Mack)
- Na cruz? Espere aí, eu pensei que você o tinha abandonado. Você sabe: "Meu Deus,meu Deus, por que me abandonastes?" - Era uma citação das Escrituras que freqüentemente assombrava Mack na Grande Tristeza.
- Você não entendeu o mistério naquilo. Independentemente do que ele sentiu no momento, eu nunca o deixei.
- Como pode dizer isso? Você o abandonou, exatamente como me abandonou!
- Mackenzie, eu nunca o abandonei e nunca deixei você.
- Isso não faz nenhum sentido - reagiu ele rispidamente.
- Sei que não, pelo menos por enquanto. Mas pense nisto: quando tudo que consegue ver é sua dor, talvez você perca a visão de mim, não é?
Quando Mack não respondeu, ela retornou ao trabalho na cozinha, como se quisesse lhe oferecer um pouco de um necessário espaço. Parecia estar preparando vários pratos ao mesmo tempo, acrescentando temperos e ingredientes. Cantarolando uma musiquinha repetitiva, deu os últimos retoques na torta que estava fazendo e enfiou-a no forno.
- Não se esqueça, a história não terminou no sentimento de abandono de Jesus. Ele encontrou a saída para se colocar inteiramente nas minhas mãos. Ah, que momento foi aquele!
Comentário :
Todos os sábios tem dito que o que nos separa de Deus, da verdade, da Paz, é o nosso EGO. Naquele momento supremo em que Jesus como "filho do homem" reclama que Deus o abandonou, de repente ele fica consciente da besteira que está fazendo e diz : Nas tuas mãos entrego meu espírito(EGO). Naquele momento ele torna-se o Cristo(O acordado). Por isto Papai diz : "Ele encontrou a saída para se colocar inteiramente nas minhas mãos. Ah, que momento foi aquele!"

- Eu sei, querido. Por isso estamos aqui. Por que você acha que eu disse que não sou como você?
- Bom, realmente não faço idéia. Quer dizer, você é Deus e eu não sou. - Ele não conseguiu afastar o sarcasmo da voz, mas ela o ignorou completamente.
- É, mas não exatamente. Pelo menos não do modo como você está pensando.
Mackenzie, eu sou o que alguns chamariam de "sagrado e totalmente diferente de você". O problema é que muitas pessoas tentam entender um pouco o que eu sou pensando nomelhor que elas podem ser, projetando isso ao enésimo grau, multiplicando por toda a bondade que são capazes de perceber - que freqüentemente não é muita —, e depois chamam o resultado de Deus. E, embora possa parecer um esforço nobre, a verdade é que fica lamentavelmente distante do que realmente sou. Sou muito mais do que isso,sou acima e além de tudo o que você possa perguntar ou pensar.
Comentário :
Isto que está descrito acima é que todos nós temos feito, e principalmente os religiosos. Deus é indefinível, ilimitado, incognoscível dizem os Mestres. Veja o que Papai diz :" Sou muito mais do que isso, sou acima e além de tudo o que você possa perguntar ou pensar."
E o homem pensa que pode estudar, definir Deus.Como dizem os Mestres nós podemos nos tornar Deus, mas não defini-lo.


- Você está falando de Jesus, não é verdade? Está me lembrando as aulas de catecismo: "Vamos tentar entender a Trindade"?
Ela deu um risinho.
- Mais ou menos, mas aqui não é a escola dominical. É uma aula de vôo. Mackenzie, como você pode imaginar, há algumas vantagens em ser Deus. Por natureza, sou completamente ilimitada, sem amarras. Sempre conheci a plenitude. Minha condição normal de existência é um estado de satisfação perpétua - disse ela, bastante satisfeita. - É apenas uma das vantagens de Eu ser Eu.
Isso fez Mack sorrir. A mulher estava se divertindo muito com ela mesma e não havia um pingo de arrogância para estragar aquilo.
- Nós criamos vocês para compartilhar isso. Mas então Adão optou por ficar sozinho, como sabíamos que iria acontecer, e tudo se estragou.Mas, em vez de varrer toda a Criação, arregaçamos as mangas e entramos no meio da bagunça. Foi o que fizemos em Jesus.
Mack estava parado, esforçando-se ao máximo para acompanhar o fio dos pensamentos dela.
- Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos. Também optamos por abraçar todas as limitações que isso implicava. Mesmo que tenhamos estado sempre presentes nesse universo criado, então nos tornamos carne e sangue. Seria como se este pássaro, cuja natureza é voar, optasse somente por andar e permanecer no chão. Ele não deixa de ser pássaro, mas isso altera significativamente sua experiência de vida.
Ela parou para se certificar de que Mack ainda estava acompanhando seu raciocínio.Embora houvesse uma dor nítida se formando em seu cérebro, ele fez um gesto, convidando-a a continuar.
-Ainda que por natureza Jesus seja totalmente Deus, ele é totalmente humano e vive como tal. Ainda que jamais tenha perdido sua capacidade inata de voar, ele opta,momento a momento, por ficar no chão. Por isso seu nome é Emanuel, Deus conosco, ou Deus com vocês, para ser mais exata.
- Mas... e todos os milagres? As curas? Ressuscitar os mortos? Isso não prova que Jesus era Deus... você sabe, mais do que humano?
- Não, isso prova que Jesus é realmente humano.
- O quê?
- Mackenzie, eu posso voar, mas os humanos, não. Jesus é totalmente humano. Apesar de ele ser também totalmente Deus, nunca aproveitou sua natureza divina para fazer nada. Apenas viveu seu relacionamento comigo do modo como eu desejo que cada ser humano viva. Ele foi simplesmente o primeiro a levar isso até as últimas instâncias: o primeiro a colocar minha vida dentro dele, o primeiro a acreditar no meu amor e na minha bondade, sem considerar aparências ou conseqüências.
- E quando ele curava os cegos?
- Fez isso como um ser humano dependente e limitado que confia na minha vida e no meu poder de trabalhar com ele e através dele. Jesus, como ser humano, não tinha poder para curar ninguém.
Isso foi um choque para as crenças religiosas de Mack.
- Só enquanto ele repousava em seu relacionamento comigo e em nossa comunhão, nossa comum-união, ele se tornava capaz de expressar meu coração e minha vontade em qualquer circunstância determinada.
Assim, quando você olha para Jesus e parece que ele está voando, na verdade ele está... voando. Mas o que você está realmente vendo sou eu, minha vida nele. É assim que ele vive e age como um verdadeiro ser humano, como cada humano está destinado a viver: a partir da minha vida.
Comentário:
Estou me lembrando que existe inúmeros comentários de que este livro é uma ficção. Jesus dizia : Quem tiver olhos para ver, veja. Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça. Mas infelizmente mesmo os religiosos não entenderam. Este livro é uma Novo Testamento condensado.
Deus(Papai) diz : "Sempre conheci a plenitude. - Nós criamos vocês para compartilhar isso. Mas então Adão optou por ficar sozinho."
Neste momento com Adão iniciou-se o processo do EGO. Ego no sentido de iludir-se que nós somos alguém. Que podemos viver nossa vida.Distante de Deus.
Na frase : " Ele não deixa de ser pássaro, mas isso altera significativamente sua experiência de vida."
Jesus era um homem como todos nós. Não um Deus como se tem falado. Como ele diz fazia milagres como um ser humano limitado e comum.Isto nos aproxima mais dele ainda. Pois se ele conseguiu viver este relacionamento com Deus nós também podemos.
Na frase : "Ainda que jamais tenha perdido sua capacidade inata de voar, ele opta, momento a momento, por ficar no chão."
Nós também não perdemos nossa capacidade inata de voar, basta fazermos uma conversão, no sentido de ir buscar dentro de si o Deus que aguarda você ansiosamente.
Na frase : "É assim que ele vive e age como um verdadeiro ser humano, como cada humano está destinado a viver: a partir da minha vida."
Os Mestres tem falado muito sobre entrega, abandonar o EGO, aceitação mas nós temos dificuldade de entender isto. Mas é simples; viver sua vida a partir da vida de Deus e aí tudo muda...voce começa a voar. Vamos lembrar a música de Zeca Pagodinho : Deixa a vida(Deus) me levar.

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