segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A cabana - Ultimos textos



Pag. 129
De novo Mack olhou para a água e de volta para Jesus.
- Então por que é tão difícil para mim?
-  Diga do que você tem medo, Mack.
-  Bem,  vejamos.  Do  que  tenho medo?  Bem,  tenho medo  de  parecer  idiota.  Tenho medo  de  você  estar  se  divertindo  às  minhas  custas  e  de  afundar  como  uma  pedra.
Imagino que...
-  Exatamente  -  interrompeu Jesus.  - Você  imagina. A  imaginação é uma capacidade poderosa!  É  um  poder  que  o  torna  muito  parecido  conosco. Mas,  sem  sabedoria,  a imaginação  é  uma  professora  cruel. Quero  lhe  fazer  uma  pergunta:  você  acha  que  os humanos foram criados para viver no presente, no passado ou no futuro?
-  Bom - disse Mack, hesitando. - Acho que a resposta mais óbvia é que fomos criados para viver no presente. Estou errado?
Jesus deu um risinho.
-  Relaxe,  Mack,  isso  não  é  um  teste,  é  uma  conversa.  Você  está  corretíssimo,  por  sinal.  Mas  agora  me  diga  onde  você  passa  a  maior  parte do tempo em sua imaginação: no presente, no passado ou no futuro?
Mack pensou um momento antes de responder.
-  Acho  que  eu  passo muito  pouco  tempo  no  presente.  Passo  grande  parte  dele  no passado, mas na maior parte do tempo estou tentando adivinhar o futuro.
-  Você  não  é  diferente  da maioria  das  pessoas. Quando  estou  com  vocês,  vivo  no presente. Não no passado, se bem que muita coisa pode ser lembrada e aprendida ao se olhar  para  trás,  mas  somente  para  uma  visita,  não  para  uma  estada  demorada.  E certamente não vivo no futuro que você visualiza ou imagina. Mack, você percebe que sua imaginação do futuro, que é quase sempre ditada por algum tipo de medo, raramente me coloca lá com você, se é que me coloca?
De  novo Mack  parou  e  pensou.  Era  verdade.  Ele  passava  um  bocado  de  tempo  se aborrecendo e se preocupando com o futuro, e em sua imaginação o futuro geralmente era muito  sombrio,  deprimente  e mesmo  horrível.  E  Jesus  também  estava  correto  ao dizer que, do modo como Mack imaginava o futuro, Deus estava sempre ausente.
-  Por que faço isso? - perguntou Mack.
É  sua  tentativa desesperada de conseguir algum controle  sobre algo que você não pode controlar. É  impossível  ter  poder  sobre  o  futuro,  porque  ele não  é  real,  e  jamais  será.
Você  tenta brincar de Deus  imaginando que o mal que  teme pode  se  tornar  realidade e depois tenta fazer planos para evitar aquilo que teme.
-  É  basicamente  o  que  Sarayu  esteve  dizendo. Então  por  que  tenho  tanto medo  da vida?
-  Porque  não  acredita. Não  sabe  que  nós  o  amamos. A  pessoa  que  vive  dominada pelos medos não encontra liberdade no meu amor. Não estou falando de medos racionais, ligados a perigos reais, e sim de medos  imaginários, e especialmente da projeção desses medos no  futuro. À medida que dá  lugar  a esses medos, você não acredita que eu  sou bom, nem sabe, no fundo do seu coração, que eu o amo. Você pode até falar disso, mas não sabe.
Mack olhou de novo para a água e soltou um suspiro enorme, que saiu do fundo da alma.
- Há um longo espaço para eu percorrer.

Pag. 133
-  Isso  é  porque,  como  a maioria  dos  seres  humanos,  você  procura  realizar-se  pelos seus  feitos,  e  Nan,  como  a  maioria  das  mulheres,  pelos  relacionamentos.  É  mais naturalmente  a  linguagem  dela.  -  Jesus  parou  para  contemplar  uma  águia-pescadora mergulhar no  lago a menos de 20 metros deles e, a seguir,  lentamente elevar-se com as garras segurando uma grande truta que ainda lutava para escapar.
-  Isso  significa  que  eu  não  tenho  saída?  Realmente  quero  o  que  vocês  três compartilham, mas não faço idéia de como chegar lá.
- Há  muita  coisa  obstruindo  o  seu  caminho  agora,  Mack,  mas  você  não  precisa continuar vivendo assim.
-  Sei que isso é mais verdadeiro agora que Missy se foi, mas nunca foi fácil para mim.
- Você  não  está  simplesmente  lidando  com  o  assassinato  de  Missy.  Há  uma reviravolta maior  que  torna  difícil  compartilhar  da  nossa  vida. O mundo  está  partido porque no Éden vocês abandonaram o  relacionamento conosco para afirmar a própria independência. A maioria dos humanos expressou  isso voltando-se para o trabalho das mãos e para o suor do rosto em busca da identidade, do valor e da segurança. Ao optar por definir o que é bom e o que é mau, vocês buscam determinar seu próprio destino.
Foi essa reviravolta que causou tanta dor.

Pag. 136
Jesus deu um risinho.
-  Boas  intenções,  má  idéia.  Não  deixe  de  me  contar  como  a  coisa funciona  para  você,  se  escolher  esse  caminho.  -  Parou  e  ficou  sério.  -  É verdade, minha vida não se destinava a tornar-se um exemplo a copiar. Ser meu seguidor não significa tentar "ser como Jesus", significa matar sua independência. Eu vim lhe dar vida, vida real, minha vida. Nós viveremos nossa vida dentro de você, de modo que você comece  a  ver  com  nossos  olhos,  ouvir  com  nossos  ouvidos,  tocar  com  nossas mãos  e pensar como nós. Mas nunca  forçaremos essa união. Se você quiser  fazer as coisas do seu jeito, tudo bem. O tempo está a nosso favor. E, por falar em tempo
- Jesus virou-se e apontou  para  o  caminho  que  levava  até  a  floresta  no  fim  da  clareira  -,  você  tem  um compromisso. Siga aquele caminho e entre onde ele acaba. Vou esperar aqui.

Pag. 154
Mack se virou para a mulher.
- Meus outros filhos estão realmente aqui?
-  Estão e não estão. Só Missy está realmente aqui. Os outros estão sonhando e cada um  terá  uma  vaga  lembrança,  alguns  com  mais  detalhes  do  que  outros.  Este  é  um momento muito pacífico de sono para cada um, menos para Kate. Este sonho não será fácil para ela. Mas Missy está totalmente acordada. 

Pag . 173
Ficaram em silêncio por alguns instantes.
- Missy não é especial? - Ela balançou a cabeça sorrindo. - Minha nossa, gosto especialmente daquela menina.
-  Eu  também!  - Mack  deu  um  sorriso  largo  e  pensou  na  sua  princesa  atrás  da  cachoeira.Princesa? Cachoeira? Espere um minuto! Papai ficou olhando enquanto as peças se encaixavam.
- Obviamente você conhece o  fascínio da minha  filha por cachoeiras e pela  lenda da princesa
Multnomah.
-  Papai  assentiu.  -  É  disso  que  se  trata?  Ela  teve  de morrer  para  que  você me
mudasse?
-  Espere aí, Mack. - Papai se inclinou. - Não é assim que eu faço as coisas.
- Mas ela adorava tanto aquela história!
-  Claro que sim. Por isso ela foi capaz de entender o que Jesus fez por ela e por toda a raça humana. As histórias sobre uma pessoa disposta a  trocar sua vida pela de outra são um  fio de ouro em seu mundo e revelam tanto suas necessidades quanto o meu coração.
- Mas se ela não tivesse morrido eu não estaria aqui agora...
- Mack, eu crio um bem  incrível a partir de  tragédias  indescritíveis, mas  isso não  significa que as orquestre. Nunca pense que o fato de eu usar algo para um bem maior significa que eu o provoquei ou que preciso dele para realizar meus propósitos. Essa crença só vai levá-lo a idéias falsas a meu respeito. A graça não depende da existência do sofrimento, mas onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras.
-  Na verdade, isso é um alívio. Eu não suportaria pensar que minha dor poderia ter cortado a vida dela.
-  Ela  não  foi  seu  sacrifício, Mack.  Ela  é  e  sempre  será  sua  alegria.  Este  é  um  propósito
suficiente para Missy.
Mack se recostou de novo na cadeira, examinando a vista da varanda.
-  Estou me sentindo preenchido!

-pag. 184
- Que regras são essas, Mackenzie?
- Você sabe, todas as coisas que as Escrituras dizem que devemos fazer.
- Certo... - disse ela com alguma hesitação. - E quais são elas?
- Você sabe - respondeu ele com um certo sarcasmo. - Fazer o bem e evitar o mal, ser caridoso com os pobres, ler a Bíblia, rezar e ir à igreja. Coisas assim.
-  Sei. E como isso funciona para você?
Ele riu.
- Bom, nunca  fiz nada disso muito bem. Tenho momentos melhores, mas  sempre há algo  com que  estou  lutando ou  algo que me  faz  sentir  culpado. Acabei de pensar que precisava me esforçar mais, porém acho difícil manter essa motivação.
- Mackenzie! - Seu tom era de censura, as palavras voando com afeto. - A Bíblia não lhe diz para seguir regras. Ela é uma imagem de Jesus. Ainda que as palavras possam lhe dizer como Deus é e o que Ele pode querer de você, é impossível fazer isso sozinho. A vida está Nele e em mais ninguém. Minha nossa, será possível que você se ache capaz de viver a retidão de Deus sozinho?
- Bom,  acho  que  sim, mais  ou menos... 
-  disse  ele  sem  graça.
- Mas  você  tem  de admitir que as regras e os princípios são mais simples do que os relacionamentos.
- É  verdade  que  os  relacionamentos  são  muito  mais  complicados do que as regras, mas as regras
nunca vão  lhe  dar  as  respostas  para  as questões profundas do coração. E nunca irão amar você.
Mergulhando a mão na água, ele brincou, vendo a repercussão de seus movimentos.
- Estou  percebendo  como  tenho  poucas  respostas...  para  qualquer  coisa.  Você  me virou de cabeça
para baixo e pelo avesso, ou sei lá o quê.
- Mackenzie, a religião tem a ver com respostas certas e algumas dessas respostas são de fato certas. Mas eu tenho a ver com o processo que leva você à resposta viva, e só ele é capaz de mudá-lo por dentro. Há muitas pessoas inteligentes que dizem um monte de coisas certas a partir do cérebro porque aprenderam com alguém quais são as respostas certas.
Mas essas pessoas não me conhecem. Assim, na verdade, como as respostas delas podem ser certas, mesmo que estejam certas? - Ela sorriu. - Ficou confuso? Mas pode ter certeza: mesmo que possam estar certas, elas estão erradas.
- Entendo  o  que  você  está  dizendo.  Eu  fiz  isso  durante  anos,  depois  da  escola dominical. Tinha as respostas certas algumas vezes, mas não conhecia vocês. Este fim de semana,  compartilhando  a  vida  com  vocês,  foi muito mais  esclarecedor  do  que  todas aquelas respostas.
Continuaram a se mover preguiçosamente na água.
- Então verei você de novo? - perguntou ele, hesitando.
- Claro. Você pode me ver numa obra de arte, na música, no silêncio, nas pessoas, na Criação, mesmo na sua alegria e na sua  tristeza. Minha capacidade de me comunicar é ilimitada,  vivendo  e  transformando,  e  tudo  isso  sempre  estará  sintonizado  com  a bondade  e o  amor de Papai. E você  irá me ouvir e me ver na Bíblia de modos novos. Simplesmente não procure regras e princípios. Procure o relacionamento: um modo de estar conosco.
- Mesmo assim não será o mesmo do que ter você na proa do meu barco.
- Não, mas será muito melhor do que você pode  imaginar, Mackenzie. E, quando você finalmente dormir neste mundo, teremos uma eternidade juntos, face a face.
E então ela sumiu. Apesar de ele saber que não havia sumido de verdade.
-  Então,  por  favor,  ajude-me  a  viver  na  verdade  -  disse  Mack  em  voz alta. "Talvez isso seja uma oração", pensou.

Pag. 188
- Deixe-me  responder  com  uma  pergunta.  Por  que  você  acha  que nós criamos os Dez Mandamentos?
De  novo Mack  estava  com  o  garfo  a  meio  caminho  da  boca,  mas  mesmo  assim mastigou o bocado enquanto pensava na resposta.
- Acho, pelo menos foi o que me ensinaram, que é um conjunto de regras que vocês esperavam que os humanos obedecessem para viver com retidão e em estado de graça perante vocês.
Se  isso  fosse verdade,  e não  é  -  respondeu Sarayu —, quantos você  acha que viveram com retidão suficiente para entrar em nossas boas graças?
- Não muitos, se as pessoas são como eu.
- Na  verdade,  só  um  conseguiu:  Jesus.  Ele  obedeceu  a  letra  da  lei  e  realizou completamente  o  espírito  dela. Mas  entenda, Mackenzie:  para  fazer  isso,  ele  teve  de confiar totalmente em mim e depender totalmente de mim.
-  Então por que vocês nos deram esses mandamentos?
- Na verdade, queríamos que vocês desistissem de  tentar ser  justos sozinhos. Era um espelho para revelar como o rosto fica imundo quando se vive com independência.
- Mas  tenho  certeza  de  que  vocês  sabem  que  há muitos  que  acham  que  se  tornam justos seguindo as
regras.
- Mas  é  possível  limpar  o  rosto  com  o mesmo  espelho  que mostra  como você  está sujo? Não há misericórdia nem graça nas regras, nem mesmo para um erro. Por isso Jesus realizou todas elas por vocês, para que elas não tivessem mais poder sobre vocês.Agora ela estava com força total, as feições crescendo e movendo-se.
- Mas  tenha em mente que, se você viver sua vida sozinho e de forma  independente, a promessa é vasia.
 Jesus afastou a exigência da lei. Ela não tem mais poder de acusar oucomandar. Jesus é a promessa e o
cumprimento.
-  Está  dizendo  que  não  preciso  seguir  as  regras? 
-  Agora  Mack  havia  parado completamente de comer e estava concentrado na conversa.
-  Sim. Em Jesus você não está sob nenhuma lei. Todas as coisas são legítimas.
- Não pode estar falando sério! - gemeu Mack.
-  Criança - interrompeu Papai -, você ainda não ouviu nada.
- Mackenzie - continuou Sarayu - só têm medo da liberdade os que não podem confiar que nós vivemos neles. Tentar manter a lei é na verdade uma declaração de independência, um modo de manter o controle.
-  É  por  isso  que  gostamos  tanto  da  lei?  Para  nos  dar  algum  controle?  -  perguntou Mack.
É muito pior do que  isso - retomou Sarayu.
- Ela dá o poder de  julgar os outros e de  se sentir  superior  a  eles. Vocês  acreditam  que  estão  vivendo  num  padrão mais  elevado  do  que aqueles a quem vocês  julgam. Aplicar  regras,  sobretudo em  suas expressões mais  sutis, como responsabilidade e expectativa, é uma tentativa inútil de criar a certeza a partir da incerteza. E, ao  contrário  do  que  você  possa  pensar,  eu  gosto  demais  da  incerteza. As  regras  não  podem trazer a liberdade. Elas só têm o poder de acusar.
-  Uau!  -  De  repente  Mack  percebeu  o  que  Sarayu  havia  dito.
-  Está  dizendo  que  a responsabilidade e a expectativa são apenas outra forma de regras? Ouvi direito?
-  É - exclamou Papai de novo. - Agora chegamos ao ponto: Sarayu, ele é todo seu!
Mack procurou concentrar-se em Sarayu, o que não era uma tarefa simples.
Sarayu sorriu para Papai e de novo para Mack. Começou a falar lenta e decididamente:
-  Mackenzie, eu sempre prefiro um verbo a um substantivo. Parou e esperou. Mack não tinha
muita certeza de ter entendido.
-  Hein?
-  Eu  -  ela  abriu  as  mãos  para  incluir  Jesus  e  Papai  -  sou  um  verbo. Sou  o  que  sou.  Serei  o  que  serei.  Sou  um  verbo!  Sou  viva,  dinâmica, sempre ativa e em movimento. Sou um ser-verbo. Mack  tinha  uma  expressão  vazia  no  rosto.  Entendia  as  palavras, mas  ainda  não  achava  o sentido.
-  E,  como  minha  essência  é  um  verbo  -  continuou  ela  -,  sou  mais  ligada  a  verbos  do  que  a  substantivos.  Verbos  como  confessar,  arrepender-se,  viver,  amar,  responder,  crescer,  colher,  mudar,  semear,  correr, dançar,  cantar  e  assim  por  diante.  Os  humanos,  por  outro  lado,  gostam de  pegar  um  verbo  vivo  e  cheio  de  graça  e  transformá-lo  num  substantivo  ou  num  princípio  morto  que  fede  a  regras.  Os  substantivos existem  porque  existe  um  universo  criado  e  uma 
realidade física, mas se  o  universo  for  apenas  uma  massa  de  substantivos,  ele  está  morto.A  não  ser  "eu  sou",  não  existem  verbos  e  os  verbos  são  o  que  torna  o universo vivo.
-  E...  -  Mack  ainda  estava  lutando,  mas  pareceu  que  um  brilho  de luz  começava  a  iluminar  seu  pensamento. 
  -  E  isso  significa  exatamente o quê? Sarayu pareceu não se perturbar com sua falta de entendimento.
-  Para que alguma coisa se mova da morte para a vida, você precisa colocar algo vivo e móvel na mistura. Passar de uma coisa que é apenas um substantivo para algo dinâmico e imprevisível, para algo vivo e no tempo presente - um verbo -, é mover-se da lei para a graça. Posso dar alguns exemplos?
-  Por favor. Sou todo ouvidos.
Jesus deu um risinho e Mack piscou para ele antes de se voltar para Sarayu. A sombra levíssima de um sorriso atravessou o rosto dela enquanto retomava:
-  Então  vamos  usar  suas  duas  palavras:  responsabilidade  e  expectativa.  Antes  que suas  palavras  se  tornassem  substantivos,  eram  nomes  que  continham  movimento  e experiência: a capacidade de reagir e a prontidão. Minhas palavras são vivas e dinâmicas, cheias de vida e possibilidades. As  suas  são mortas, cheias de  leis, medo e  julgamento.
Por isso você não encontrará a palavra responsabilidade nas Escrituras.
- Minha nossa! - Mack franziu a testa, começando a perceber aonde isso ia dar.
- Por outro lado, nós a usamos um bocado.
Ela continuou:
A  religião  usa  a  lei  para  ganhar  força  e  controlar  as  pessoas  de  que precisa  para  sobreviver.  Eu,  ao  contrário,  dou  a  capacidade  de  reagir  e sua  reação  é  estar  livre  para  amar  e  servir  em  todas  as  situações.  Por isso,  cada  momento  é  diferente,  único  e  maravilhoso.  Como  sou  sua capacidade  de  reagir  livremente,  tenho  de  estar  presente  em  vocês.  Se eu  simplesmente  lhes  desse  uma  responsabilidade,  não  teria  de  estar com  vocês.  A  responsabilidade  seria  uma  tarefa  a  realizar,  uma  obrigação a cumprir, algo para vencer ou fracassar.
- Minha nossa, minha nossa - disse Mack outra vez, sem muito entusiasmo.
Usemos  o  exemplo  da  amizade  e  veremos  que  remover  o  elemento  de  vida  de  um substantivo pode alterar um relacionamento. Mack, se você e eu somos amigos, há uma prontidão  dentro  de  nosso  relacionamento.  Quando  nos  vemos  ou  quando  estamos separados, há a prontidão de estarmos  juntos, de  rirmos e  falarmos. Essa prontidão não tem definição concreta: é viva, dinâmica, e tudo que emerge do fato de estarmos juntos é um dom único que não é compartilhado por mais ninguém. Mas o que acontece se eu mudar  "prontidão"  por  "expectativa",  verbalizada  ou  não?  Subitamente  a  lei  entra  no nosso  relacionamento. Agora você  espera que  eu  aja de um modo que  atenda  às  suas expectativas. Nossa amizade viva se deteriora rapidamente e se  torna uma coisa morta, com  regras e exigências. Não  tem mais a ver com nós dois, mas com o que os amigos devem fazer ou com as responsabilidades de um bom amigo.
- Ou  -  observou Mack  -  com  as  responsabilidades  de marido,  de  pai,  empregado ou qualquer outra coisa. Entendi. Prefiro viver na prontidão.


Pag. 226
Então ouviu Nan dizer que o acidente havia acontecido na noite de sexta-feira.
- Não foi no domingo? - perguntou.
-  Claro que não! Foi na noite de sexta-feira que trouxeram você para cá de helicóptero.
-  As  palavras  dela  o  confundiram  e  por  um  momento  ele  se  perguntou  se  os acontecimentos  na  cabana  teriam  sido  apenas  um  sonho.  "Talvez  fosse  um  daqueles deslocamentos temporais de Sarayu", pensou.

Nota:

  Destaquei este texto porque explica o que realmente aconteceu. O Mack estava em coma no Hospital e seu espirito viveu uma experiência fora do corpo, por isso na página 154 ele fala que a Missy estava lá mas os outros estavam em sonho.

3 comentários:

Champa disse...

Ufa! Gracias, ler este texto de novo me deixa sem respirar e cheia de emoção!Destaco: "Ser meu seguidor não significa tentar "ser como Jesus", significa matar sua independência. Eu vim lhe dar vida, vida real, minha vida. Nós viveremos nossa vida dentro de você, de modo que você comece a ver com nossos olhos, ouvir com nossos ouvidos, tocar com nossas mãos e pensar como nós. "Esta parte é muito importante ,isto é ,sair do caminho,deixar que "Deus " viva em mim!Como foi maravilhoso entender isso!Convido a todos para se deterem no texto todo e descobrir o que realmente É.
Namastê

Champa disse...

Avikal destaca: Mack estava em coma no Hospital e seu espirito viveu uma experiência fora do corpo!
Seja o que for, se isso existiu ou não , prá mim, foi uma conversa com "Deus", é Deus falando prá mim, como posso viver , deixando que Ele viva!
Isso é maravilhoso!!!

Sw Anand Avikal disse...

Champa,
Vi seus dois comentários. Nós temos que bater neste ponto cada vez mais. Até que um dia cai a ficha.Todas as postagens que tenho colocado aponta para isto.Valeu. Comente, se for necessário até mais vezes, porque com suas experiências voce descobre novas nuances disto tudo.Namastê.

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