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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Osho - Observe a lingua para entrar no Silêncio

Com a boca ligeiramente aberta,
mantenha a mente no meio da língua.

Essa técnica se preocupa em focalizar a língua, bem no meio da língua. Com a boca ligeiramente aberta, como se você fosse falar. Não fechada, mas ligeiramente aberta como quando você vai falar; não como quando você está falando, mas como quando você está para falar.

Então mantenha a mente no meio da língua.

Você irá sentir um sentimento muito estranho, porque a língua tem um centro exatamente no meio que controla seus pensamentos. Se você subitamente se torna atento e se concentra nisso, seus pensamentos irão cessar. Concentre-se como se toda sua mente estivesse na língua, bem no meio. Deixe a boca ligeiramente aberta como se você fosse falar e então focalize a mente como se ela não estivesse na cabeça. Sinta-a como se ela estivesse bem no meio da língua. A língua possui o centro da fala e pensamento é fala.

O que você está fazendo quando está pensando? Falando por dentro. Você pode pensar alguma coisa sem falar por dentro? Você está só, você não está falando com alguém, você está pensando. O que você está fazendo enquanto pensa? Falando por dentro, falando para si mesmo. Sua língua está envolvida.

Da próxima vez, enquanto estiver pensando, fique atento: sinta a língua. Ela está vibrando como se você estivesse falando com alguém mais. Então a sinta novamente, e você pode sentir que as vibrações estão concentradas bem no meio. Elas surgem do meio e então se espalham por toda a língua. Pensar é falar por dentro. Se você puder trazer toda sua consciência, sua mente, para o centro da língua, o pensar cessa.

Portanto, aqueles que praticam o silêncio, eles estão simplesmente praticando não falar. Se você parar de falar exteriormente, então você ficará profundamente atento da fala interior. E se você permanecer completamente silencioso por um ou dois meses ou por um ano, sem falar, você irá sentir sua língua vibrar violentamente.

Você não está sentindo isso porque você continua falando e as vibrações estão sendo liberadas. Mas mesmo agora, se você parar e se tornar cônscio enquanto pensa, você irá sentir sua língua vibrando um pouco.

Pare sua língua completamente e então tente pensar, você não pode pensar.
Pare sua língua completamente como se ela estivesse congelada; não deixe que ela se mova. Então você não pode pensar. O centro está bem no meio, portanto traga sua mente para lá.

domingo, 13 de novembro de 2011

Osho - Entrega à Existência...

Osho, em "Guerra e Paz Interior: Ensinamentos do Bhagavad Gita"
Sempre conto a história de dois pedaços de palha que estão se afogando em um rio caudaloso. Uma das palhas, que está disposta em diagonal na correnteza, está tentando conter o rio, está gritando que não deixará o rio continuar.

Apesar de as águas do rio continuarem rolando e a palha ser 
incapaz de controlá-las, ela continua gritando que o rio será contido: está se gabando de que, quer ela viva ou morra, o rio será contido.

Mas essa palha continua se afogando. O rio não ouve sua voz e 
não sabe que a palha está lutando contra ele. É uma palha muito pequena; o rio não sabe que ela existe, e ela não faz a menor diferença para ele.

Mas para a palha é uma questão de grande importância. É a maior dificuldade de sua vida. Ela está se afogando, mas continua lutando, ela chegará 
ao mesmo lugar que chegaria se não estivesse lutando.

No entanto, como está lutando, esse momento, esse período será de 
dor, de pesar, de conflitoansiedade.

A palha perto dela se soltou. Ela 
não está indo contra o fluxo; está deitada reta, na direção em que o rio está correndo — e acredita que está ajudando o rio a correr.

O rio 
também não conhece a existência dessa palha. A palha pensa que, como está levando o rio para o mar, o rio vai chegar lá. E o rio desconhece essa ajuda.

Tudo isso não faz a menor diferença para o rio, mas para as duas palhas trata-se de um assunto de grande importância. Aquela que está guiando o fluxo do rio está sentindo uma 
imensa alegria; está dançando, repleta de prazer.

A palha que está lutando contra o rio está sofrendo muito. Sua dança não é uma dança: é 
um pesadelo. Nada mais é do que uma torção de seu corpo, ela está com problemas, está sendo derrotada; enquanto aquela que está indo com o rio está vencendo.

Um indivíduo é incapaz de fazer qualquer coisa 
exceto aquilo que seja a vontade do todo. Mas ele tem a liberdade de lutar, e lutando ele tem a liberdade de ficar ansioso.

Sartre disse algo importante: "
O homem está condenado a ser livre". O homem está fadado, está condenado, está amaldiçoado a ser livre.

No entanto, o homem pode usar sua liberdade de 
duas maneiras. Pode usar sua liberdade contra a vontade da existência e criar um conflito. Nesse caso sua vida será de pesar, dor e angústia, e por fim ele será derrotado.

Outro indivíduo pode fazer de sua liberdade um objeto de 
entrega à existência — e sua vida será uma vida de alegria, uma vida de dança e canção. E qual será o resultado final? O final não será nada além de uma vitória para ele.

A palha que acredita que está ajudando o rio tem a probabilidade de ser vitoriosa. Ela 
não pode ser derrotada. A palha que tenta parar o rio certamente será derrotada. Ela não pode vencer.

Então é impossível conhecer a vontade da existência, mas certamente é possível 
transformar-se em um com a existência. E se esse for o caso, então a vontade de uma pessoa desaparecerá e apenas a vontade da existência permanecerá.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Osho - Meditação é uma experiência

Você não acredita em Deus? Isso não é um obstáculo à meditação.

Não acredita na alma? Isso também não é um obstáculo à meditação.

Não acredita em coisa alguma? Isso não é um obstáculo.

Você pode meditar, porque a meditação simplesmente diz como ir para dentro: não importa se ali existe ou não uma alma; se existe ou não um Deus, não importa.

Uma coisa é certa: você existe. Se você existirá ou não depois da morte não importa. Só uma coisa importa: neste exato momento, você existe.

Quem é você? Entrar em você é meditação — entrar mais fundo em seu próprio ser. Talvez ele seja apenas momentâneo; talvez você não seja eterno; talvez a morte ponha um fim em tudo.

Não impomos nenhuma condição na qual você deva acreditar. Dizemos apenas que você tem de experimentar. Simplesmente tente!

Um dia, acontece: os pensamentos não mais estão presentes. E subitamente, quando os pensamentos desaparecem, o corpo e você estão separados — porque os pensamentos são a ponte. Através deles você se une ao corpo; esse é o elo.

De repente o elo desaparece — você está presente, o corpo está presente, e há um abismo infinito entre os dois. Então, você sabe que o corpo morrerá, mas que você não pode morrer.

Então, isso não é algo como um dogma; não é um credo, é uma experiência — incontestável. Nesse dia, a morte desaparece; nesse dia, a dúvida desaparece, porque, agora, você não tem de estar sempre se defendendo. Ninguém pode destruí-lo, você é indestrutível.

Então surge a confiança, ela transborda. E confiar é estar em êxtase; confiar é estar em Deus; confiar é sentir-se preenchido.

Por isso não digo para cultivar a confiança. Digo para experimentar a meditação.

Osho, em "O que é Meditação?"

terça-feira, 5 de julho de 2011

Osho - Dez mandamentos





















Você perguntou pelos meus Dez mandamentos.
É muito difícil, porque eu sou contra qualquer tipo de mandamento.
No entanto, apenas para se divertir, eu escrevo como se segue:

1 – Não obedeça nenhum comando a menos que seja um comando de dentro de voce.
2 - Não há outro Deus além da Vida dentro de voce.
3 - A verdade está dentro. Não procure em outro lugar.
4 - O amor é oração.
5 - O vazio é a porta de entrada para a Verdade. O vazio é o meio, o destino, a realização.
6 - A vida é aqui e agora.
7 - Viva totalmente acordado.
8 - Não nade, flutue.
9 - Morrer cada momento de modo que você cresça de novo, cada momento.
10 – Não busque: O que é, é. Pare e veja.

sábado, 7 de maio de 2011

Osho - Deus

Osho,
O que é existência? É aquilo que as pessoas chamam de Deus?

Existência é o que é, e Deus é aquilo que não é. Existência é uma realidade, Deus é uma ficção. Existência está disponível somente para meditadores, pessoas de silêncio. Deus é uma consolação para mentes e psicologias enfermas.

Existência não é sua produção – Deus é. Eis por que há somente uma existência, mas milhares de deuses. Cada um de acordo com suas necessidades, de acordo com o seu sofrimento, suas expectativas, cria um deus ou aceita uma antiga crença sobre Deus.

Deus é uma grande consolação, mas isso não é uma cura. Existência não é uma consolação. Estar em sintonia com ela é estar saudável e integral. Todas as religiões do mundo têm ensinado Deus. Eu ensino a vocês existência. Ensino estar em sintonia com aquilo que lhe circunda, que está dentro e fora de você. Uma vez que você está em sintonia com ela, não existe morte para você, nenhuma miséria, nenhuma tensão, nenhuma preocupação, mas uma tremenda paz lhe cerca, um contentamento com o qual você nunca sonhou ..

Deus é para aqueles que não podem crescer em consciência, que são retardados no que se refere a conscientização. Esta é um tipo de brinquedo, pessoas retardadas precisam disso. E no momento que digo isso é um brinquedo, então depende de você de como quer fazê-lo – semelhante a um macaco ou semelhante a um elefante. Só depende de você dar a ele quatro mãos ou mil mãos. Isso é sua criação. Bastante estranho, o homem acreditar que deus criou tudo.

A verdade é que o próprio Deus é uma criação da imaginação do homem.
Deus é a maior mentira que você pode encontrar, pois dessa mentira depende milhares de outras mentiras. Igrejas, organizações religiosas vão multiplicando mentiras sobre mentiras, só para proteger uma mentira.

Você precisa entender a psicologia da mentira. A primeira coisa sobre mentir é que você necessita de uma boa memória porque você tem que lembrar. Você mente para alguém sobre alguma coisa, para outra pessoa sobre outra coisa; você tem que lembrar-se o que você disse a um e o que disse a outra.

A verdade não necessita de lembrança. Verdade está sempre aí, exatamente a mesma. Você não precisa abarrotá-la em sua memória. Memória cria uma servidão, uma prisão. Esta se apega ao seu redor, encobrindo-lhe tanto, que lentamente, aos poucos você desaparece completamente. A verdade lhe desencobre de todas as mentiras. E há uma súbita revelação de que você é parte da imensa verdade que estou chamando de existência.

Você não necessita de igrejas, não precisa de nenhum templo, de nenhuma mesquita; você só precisa de um coração devoto, de um coração amoroso, de um coração grato. Este é seu verdadeiro templo. Isso irá transformar sua vida inteira. Isso irá lhe ajudar a descobrir não somente você mesmo, mas as próprias profundezas dessa imensa existência.

Somos quase como as ondas do oceano – apenas na superfície, e o oceano pode ter milhas de profundidade. O Oceano Pacífico tem 5 milhas de profundidade. Contudo, uma pequena onda no topo jamais conhecerá a profundeza – sua própria profundeza, porque ela não está separada do oceano. Ela irá apegar-se a sua pequena entidade, temer sobre a morte, temer perder a si mesma na vastidão, o oceano infinito. Mas a verdade é: a morte da onda não é uma morte, mas o princípio de uma vida eterna.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Osho - Por que meditar ?

Por que meditar?

A meditação é um modo de nos fixar em nós mesmos, no mais profundo centro de nosso ser. Uma vez que você encontrou o centro de sua existência, você terá encontrado tanto suas raízes quanto suas asas.

As raízes estão na existência, tornando você um ser humano mais integrado, um indivíduo. E as asas estão na fragrância que é liberada por estar em contato com a existência. A fragrância consiste de liberdade, amor, compaixão, autenticidade, sinceridade, um senso de humor, e um tremendo sentimento de alegria.

As raízes tornam você um indivíduo e as asas dão a você a liberdade do amor, para ser criativo, para compartilhar incondicionalmente a alegria que você encontrou. As raízes e as asas chegam juntas. Elas são dois lados de uma experiência e esta experiência é achar o centro de seu ser.

Estamos continuamente nos movendo na circunferência, sempre em algum lugar bem distante de nosso próprio ser, sempre direcionados para os outros. Quando tudo isso é abandonado, quando todos os objetos são abandonados, quando você fecha seus olhos para tudo que não é você; até mesmo sua mente, as batidas de seu coração são deixadas para trás; apenas um silêncio permanece.

Nesse silêncio você lentamente se assentará no centro de seu ser e então as raízes crescerão por si mesmas e as asas também. Você não precisa se preocupar com elas. Você não pode fazer nada com elas. Elas chegam por si mesmas.

Você apenas preenche uma condição, que é: estar em casa; e toda a existência se torna uma alegria para você, uma bênção.


Osho, em "The Osho Upanishad

Extraído do site Palavras de Osho.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Osho - Suas palavras

As palavras de Osho

Disseram a Osho:

Eu gosto muito de ouvir suas palestras, mas odeio as meditações. Está tudo OK, Osho? Talvez meu caminho é o da oração.

Se você realmente aprecia minhas palestras você vai apreciar as meditações também porque elas estão interligadas. Na verdade, minhas palestras nada mais são que aperitivos — se você gostar do aperitivo e não gostar do almoço vai morrer mais cedo ou mais tarde. Você vai morrer de fome.

As palestras são apenas para prepará-lo para as meditações. Se você odeia as meditações, então você não me ouviu. Então você pode pensar que você me ouviu, mas você não ouviu.

Ouvindo-me, o que mais há para fazer? Se você já me ouviu vai estar pronto para ir fundo nas meditações. E tudo o que eu estou dizendo será uma experiência real apenas quando você tiver ido para as meditações. Então isso vai se tornar a sua experiência.

Ouvindo-me, isso permanecerá algo emprestado, ouvindo-me você ficará vibrando com a possibilidade disso, ouvindo-me é como se eu estivesse falando sobre o maravilhoso Himalaia — e você me ouve e gosta disso. Mas você nunca foi ao Himalaia e tudo o que eu digo é nada comparado com a beleza do Himalaia. Como é que ela pode ser traduzida em palavras? Você terá que ir.

Se você está realmente ouvindo-me, um dia, de repente, você vai sentir: "Agora chegou a hora e eu tenho que ir para a aventura. Eu tenho que correr o risco." Meditações são a verdadeira jornada. Aqui eu simplesmente seduzo você para meditar. Não é o fim, é o começo.

Ouvi contar:

Um lanterninha ficou espantado ao ver um grande urso marrom sentado na primeira fila, comendo amendoim.
"Ei, você!" ele gritou. "Você é um urso! O que você está fazendo aqui?"
"Ora, eu gostei tanto do livro", respondeu o urso, "que pensei que iria gostar de ver o filme."

Se você realmente está me ouvindo e gostando disso, um dia você vai querer ver o filme também.

Se é verdade que você aprecia tudo o que estou dizendo, então como é possível que você odeie as meditações? Eu não sou um entretenimento. Talvez você esteja me usando como um entretenimento. Talvez ficando aqui por uma hora e meia todos os dias você esquece suas preocupações — por uma hora e meia você é transportado para outro mundo, para meu mundo.

E você vê coisas bonitas — pelo menos você as visualiza, imagina-as — e então você se vai. Então você se torna viciado nisso. Todo dia você tem que vir e me ouvir. Agora é só um intoxicante. Isso não vai ajudar.

Eu estou falando sobre comida — só a palestra sobre a comida não vai ajudar. O menu não é a comida. As palestras são apenas o menu, e você terá que fazer um pedido.

Isso aconteceu:

Um playboy americano estava dando uma olhada em um dos hotéis mais luxuosos de Paris. Ele disse ao funcionário que queria o melhor quarto.
Quando chegou ao quarto, ficou impressionado com o mobiliário requintado e com a decoração de bom gosto.
Entretanto, viu uma série de botões coloridos na parede. "Diga-me," ele perguntou ao mensageiro, "para que são esses botões?".
"Bem, senhor", disse o mensageiro, "quando você pressiona o dourado, uma bela loira aparece."
"Continue", disse o playboy exaltadamente.
"Quando você aperta o vermelho, uma ruiva aparece. E quando você aperta o marrom, uma bela morena aparece."
"Vamos esquecer o quarto", disse o playboy. "Vou levar os botões."

Mas os botões vêm com o quarto; apenas levar os botões para casa não vai ajudar — porque você pode continuar apertando os botões, mas ninguém vai aparecer.

Nas memórias de Lawrence da Arábia, ele escreve que uma vez levou doze árabes para a França com ele.
Essa foi a primeira vez que eles tinham saído do seu país. Houve uma grande exposição na França e Lawrence levou-os para vê-la.

Mas ele estava muito confuso. Depois que eles entraram na banheira, não queriam mais sair. Eles podiam ficar por horas no banho! Mas ele pensou: "É natural. Eles vêm de um país desértico, onde a água é muito escassa então eles estão aproveitando a banheira e a ducha".

Eles podiam ficar pulando e dançando no banheiro e não tinham o menor interesse ​​na exposição. Na hora de voltar — e eles estavam sempre com pressa para voltar ao hotel, eles diziam: "Vamos para cima". E eles corriam para o banheiro e se divertiam.

No último dia, quando todas as malas estavam prontas e colocadas nos carros e eles estavam saindo para o aeroporto, todos os árabes desapareceram de repente. Lawrence se questionou para onde eles tinham ido porque eles estavam atrasados. De repente ele se lembrou que talvez eles tivessem voltado ao banheiro. Então ele correu para cima e eles estavam todos lá, tentando tirar as torneiras.

Ele perguntou: "O que vocês estão fazendo?"
Eles disseram: "Nós pensamos que poderíamos levar essas torneiras. Vamos aproveitá-las na Arábia."

Eles achavam que a água vinha por meio delas. Era um milagre! Eles não sabiam que havia um encanamento e um grande mecanismo por trás disso e você não pode simplesmente levar as torneiras - elas não seriam de nenhuma utilidade.

O que estou dizendo para você é apenas como uma torneira. Existe uma grande fonte por trás de onde tudo vem. A menos que você vá lá, apenas me ouvir não vai ajudar. Pode ser um alívio, um consolo, um vício, mas não vai trazer nenhuma revolução em sua vida.

Você diz: Está tudo OK, Osho? Não está OK de jeito nenhum. Você está desperdiçando seu tempo. Se você parar de me ouvir e continuar com as meditações é muito melhor que parar as meditações e me ouvir.

Osho, em "Tao: The Pathless Path"

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Osho - Pensamentos e vibrações

Pensamentos e vibrações

Quando você pensa sobre alguma coisa, um tipo particular de vibração o rodeia. Esta é a razão pela qual, às vezes, quando você está perto de uma determinada pessoa, você se sente triste sem nenhuma razão aparente. Por outro lado, na companhia de outra pessoa, você pode se sentir alegre de repente.

Os poderes da mente se desenvolvem mais e mais à medida que vamos para dentro, e se dissipam quando vamos para fora... Até agora, os pensamentos não foram considerados como tendo uma existência física, mas é um fato que, quando você pensa um tipo particular de pensamento, as vibrações ao seu redor mudam de acordo. É interessante notar que não apenas pensamentos mas até mesmo palavras têm as suas vibrações. Se você espalhar partículas de areia sobre um vidro plano e entoar AUM alto, o padrão causado pela vibração do som será diferente do padrão causado ao entoar RAM. Você se surpreenderá em saber que quanto mais alto um insulto for proferido, mais feio é o padrão formado, e quanto mais bela a palavra, mais belo será o padrão da sua vibração. Assim, por milhares de anos foram feitas pesquisas para encontrar palavras que produzem belas vibrações e se considerou se o seu impacto era suficiente para bater no coração.

As palavras são pensamentos manifestados. Entretanto, palavras não manifestadas também carregam uma ressonância e nós as chamamos de "pensamentos." Quando você pensa sobre alguma coisa, um tipo particular de vibração o rodeia. É por isso que, às vezes, quando se está perto de uma determinada pessoa, você se sente triste por nenhuma razão aparente. Pode ser que esta pessoa não tenha emitido uma única palavra negativa, e talvez até ela esteja rindo e feliz de tê-lo encontrado. Ainda assim, uma tristeza toma conta de você por dentro. Por outro lado, na companhia de outra pessoa, você pode se sentir alegre de repente.

Você entra numa sala e pode sentir uma mudança repentina dentro de si. Alguma coisa sagrada ou profana toma conta de você. Em alguns momentos, você está rodeado de paz e tranqüilidade e, em outros, de inquietude. Você não consegue entender e se pergunta, "Eu estava me sentindo muito em paz. Por que essa inquietude de repente surgiu na minha mente?" Existem ondas de pensamento em todo o seu redor e elas continuam entrando em você durante as 24 horas.

Osho, In Search of the Miraculous, V2, # 5

Osho - Não tente parar seus pensamentos

  Não tente parar os pensamentos

         Seus pensamentos não possuem quaisquer raízes, eles não têm nenhum lar; eles perambulam exatamente como nuvens. Assim você não precisa combatê-los, você não precisa ser contra eles, você não precisa nem mesmo tentar parar os pensamentos.
         Isso deve se tornar um profundo conhecimento em você, porque sempre que uma pessoa se torna interessada em meditação, começa a tentar parar de pensar. E, se você tentar deter os pensamentos, eles jamais serão detidos, porque o próprio esforço para deter um pensamento é um pensamento, o próprio esforço para meditar é um pensamento, o próprio esforço para atingir o estado búdico é um pensamento. E como você pode deter um pensamento com outro pensamento? Como você pode deter a mente criando outra mente? Você estará se agarrando à outra. E isso continuará, e continuará, ad nauseam, e não terá fim.
         Não lute - pois quem irá lutar? Quem é você? Apenas um pensamento; assim não faça de si mesmo um campo de batalha de um pensamento combatendo outro. Ao invés, seja uma testemunha –  você apenas observa os pensamentos flutuando. Eles param, mas não pelo seu parar. Eles param por você se tornado mais cônscio, não por qualquer esforço de sua parte para detê-los – dessa forma eles jamais param, eles resistem.

                     Osho, Tantra –  The Supreme Understanding, # 2



Osho - Seja simplesmente uma testemunha

      Seja simplesmente uma testemunha

                Quando eu digo que meditação não é nada além de ausência de pensamentos, você pode me entender erroneamente. Você não tem de fazer nada para ficar sem pensamentos, porque o que quer que você faça será novamente um pensamento. Você tem que aprender a ver a procissão de pensamentos, ficando do lado da estrada, como se não fosse do seu interesse o que está passando por ali. Simplesmente o tráfego ordinário - se você puder tomar seus pensamentos de um modo que eles não sejam de muito interesse, então, facilmente, lentamente, a caravana de pensamentos que tem existido continuamente por milhares de anos desaparece.
                Você tem que compreender uma coisa simples: que dar atenção é dar nutrição. Se você não der nenhuma atenção e permanecer indiferente, os pensamentos começam a morrer por conta própria. Eles não têm nenhum outro modo para conseguir energia, nenhuma outra fonte de vida. Você é a energia que eles têm. E como você continua lhes dando atenção, seriamente, você pensa que é muito difícil se livrar dos pensamentos. É a coisa mais fácil do mundo, mas tem de ser feito da maneira certa.
                A maneira certa é ficar do lado. O tráfego vai passando - deixe-o passar. Não faça nenhum julgamento de bom e mau; não aprecie, não condene. Está tudo certo.
                Sem forçar... e isso é algo que tem de ser lembrado, porque nossa tendência natural é forçar - se é para ficarmos sem pensamentos, por que não forçar os pensamentos? Por que não joga-los fora? Mas através do simples ato de forçá-los, você está lhes dando energia, está lhes dando nutrição, está lhes dando atenção e os está tornando importantes - tão importantes que sem jogá-los para fora, você não pode meditar.
                Tente jogar fora um pensamento, e você verá como fica difícil. Quanto mais você o empurra para fora, mais ele volta com força! Ele adorará o jogo e você será derrotado no final. Você tomou a rota errada.
                (...)
                Você não pode reprimir nenhum pensamento. O próprio processo repressivo dá energia, vida, força a ele. E o enfraquece, porque você se torna o parceiro derrotado no jogo. A coisa mais fácil é não forçar, mas ser simplesmente uma testemunha.
                (...)
                Nunca force nenhum pensamento a ir embora, senão ele voltará com uma energia muito maior. E a energia é sua! Você está numa trilha de auto-fracasso. Quanto mais você o empurra para fora, com mais força ele volta.
                (…)
                Apenas permaneça em silêncio observando todos os tipos de coisas e deixe-as passar. Logo você encontrará a estrada vazia. E quando você encontrar a estrada vazia, você encontrou a mente vazia - naturalmente.
                (...)

                Quando você está no estado de não-mente, que equivale a ausência de pensamentos ... quando não há nenhuma nuvem de pensamento passando em sua mente, você atinge à claridade do estado de não-mente.
                A mente é simplesmente uma combinação de todos os pensamentos, de todas as nuvens. A mente não tem nenhuma natureza independente própria. Quando todos os pensamentos forem embora e o céu estiver limpo e claro, você verá que tudo aquilo para o qual você deu tanta atenção não é nada mais do que vazio. Seus pensamentos eram todos vazios. Eles não continham nada, eles eram vazios.
                Tudo o que você pensava que eles tinham era sua própria energia. Você retirou sua energia - o casco vazio do pensamento desaparece. Você retirou a identidade que você tinha com ele e, imediatamente, o pensamento não está mais vivo. Era a sua identificação que estava dando força de vida a ele.
                E estranhamente você pensava que seus pensamentos eram muito fortes e era muito difícil livrar-se deles! Você os estava lhes dando força, estava cultivando-os.
                (...)
                Você pode simplesmente sentar-se ou se deitar e deixar os pensamentos passarem. Eles não deixarão nenhum rastro. Simplesmente não fique interessado... nem  fique desinteressado tampouco. Simplesmente fique neutro. E ficar neutro é trazer de volta a  própria força de vida que você tem dado a seus pensamentos.
        OSHO, The Buddha: The Emptiness of the Heart, # 1

domingo, 20 de março de 2011

Osho - Desprenda-se do corpo.

Desprenda-se do corpo

Seu corpo não é nada, senão a existência que vem até você, a existência que lhe alcançou. É a existência mais próxima de você, isso é tudo. Seu corpo é somente o canto mais perto dela, e assim toda existência está aí — ela vai se espalhando. Uma vez que seu apego não existe mais, não há nenhum corpo para você; ou toda a existência tornou-se seu corpo. Você está por toda parte.

No corpo, você está em algum lugar; sem o corpo, você está por toda parte. No corpo, você fica confinado a um espaço particular; sem o corpo, você não tem nenhum confinamento. Eis porque aqueles que conheceram dizem que o corpo é um aprisionamento. Não que o corpo seja uma prisão, realmente, o apego a ele é o aprisionamento. Uma vez que seus olhos não estejam mais focalizados no corpo, você está por toda parte.

Sempre quando seu corpo é esquecido, jogado para o lado despercebidamente, inconscientemente, a alegria acontece a você. Através do Tantra e da Yoga você pode fazer isso metodicamente. Então isso não é um acidente; assim você é o mestre dele. Então isso não está acontecendo a você, assim você tem a chave em suas mãos e você pode abrir na hora que quiser. Ou, você pode abrir a porta para sempre e jogar a chave fora, não há necessidade de fechá-la novamente.

Alegria acontece também na vida ordinária, mas você não sabe como isso acontece. O acontecimento é sempre quando você não é o corpo — lembre-se disso. Então sempre quando você novamente sentir algum momento de alegria, fique consciente se nesse momento você é o corpo ou não. Você não será. Sempre quando a alegria é, o corpo não é. Não que o corpo desapareça — o corpo permanece, mas você não está apegado a ele. Você não está apegado a ele, você não está acorrentado a ele. Você pulou fora dele.

Você pode ter pulado fora devido à música, você pode ter pulado fora devido a um lindo nascer do sol, você pode ter pulado fora porque uma criança estava sorrindo, você pode ter pulado fora porque você estava apaixonado. Qualquer que seja a causa, mas você pulou fora por um momento — para fora do corpo. O corpo está aí, mas deixado de lado, você não está apegado a ele. Você pegou um voo.

Através dessa técnica, você sabe que aquele que está em toda parte não pode ser miserável; ele é jubiloso, ele é alegria. Assim quanto mais confinado você fica, mais miserável. Espalhe-se, empurre suas fronteiras para longe, e sempre quando puder, deixe o corpo de lado. Você olha no céu e nuvens estão flutuando: mova-se com as nuvens, deixe o corpo aqui na terra. E a lua está ali: mova-se com a lua. Sempre que puder esqueça do corpo, não perca a oportunidade – vá numa viagem. E então você ficará acostumado com o que significa estar fora do corpo.

Para estar no corpo, sua atenção é necessária para ficar nele. Então lembre-se — onde sua atenção estiver, você está lá. Se sua atenção estiver nas nuvens, você está lá. Se sua atenção estiver na flor, você está lá. Se sua atenção estiver no dinheiro, você está lá. Sua atenção é o seu ser. E se sua atenção não estiver em lugar nenhum, você está em toda parte.

Todo o processo da meditação é ficar em tal estado de consciência onde sua atenção não esteja em lugar nenhum, não há nenhum objeto para ela. Quando não há nenhum objeto para ela, não há nenhum corpo para você. Sua atenção cria o corpo. Sua atenção é seu corpo. E quando a atenção não está em lugar algum, você está por toda parte — júbilo acontece a você. Não é bom dizer que isso acontece a você — você é isso. Isso não pode lhe deixar agora; é o seu próprio ser.

Osho, em "The Book of Secrets"
Extraído de Palavras de Osho

Osho - Origem do mêdo

O medo surge da identificação com o corpo-mente

A consciência, no sentido de percepção, é o que os alquimistas procuravam: o elixir, o néctar, a fórmula mágica que pode ajudar uma pessoa a se tornar imortal.

Na verdade, todas as pessoas são imortais, porém vivemos num corpo mortal e somos tão apegados a ele que daí surge uma identidade. Não há distância para vermos o corpo como algo separado.

Estamos tão imersos no corpo, tão enraizados nele, que começamos a sentir que somos o corpo — e é aí que surge o problema: começamos a temer a morte. Com isso vêm todos os medos, todos os pesadelos.

A percepção cria a distância entre você e seu corpo, deixa você ciente tanto do corpo quanto da mente — pois corpo e mente não são separados. Corpo-mente é uma identidade, a mente está dentro do corpo.

Quando você se torna ciente do complexo corpo-mente, logo percebe que está separado de ambos, e o distanciamento começa a acontecer. É quando você percebe que é imortal, que não é parte do tempo, que é parte do eterno.

Você sabe, então, que não existe nascimento nem morte, que você sempre existiu e sempre existirá. Você já teve muitos corpos porque desejou demais.

Cada desejo traz você de volta ao corpo, porque sem corpo nenhum desejo pode ser realizado. Se alguém é apegado demais à comida, precisa de um corpo. Sem corpo, ninguém pode comer — a alma não ingere comida. Portanto, uma pessoa que é gulosa demais com certeza voltará em outro corpo.

Osho, em "Meditações Para A Noite"
Extraído de Palavras de Osho.

domingo, 13 de março de 2011

Osho - O Mestre Zen e o terremoto





O mestre Zen e o terremoto
Aconteceu que um mestre Zen foi chamado como convidado. Alguns amigos haviam se reunido e estavam comendo e conversando quando, de repente, houve um terremoto. O prédio em que eles estavam era um prédio de sete andares, e eles estavam no sétimo andar, então a vida estava em perigo.

Todo mundo tentou escapar. O anfitrião, correndo, olhou para ver o que tinha acontecido com o mestre. Ele estava ali sem sequer uma ruga de preocupação no rosto. Com os olhos fechados, ele estava sentado em sua cadeira da mesma maneira que estava sentado antes.

O anfitrião sentiu-se um pouco culpado, sentiu-se um pouco covarde; não fica bem que o hóspede fique sentado e o anfitrião fuja. Os outros, os outros vinte hóspedes, já tinham descido as escadas, mas ele parou, embora estivesse tremendo de medo, e se sentou ao lado do mestre.

O terremoto chegou e passou, o mestre abriu os olhos e retomou a palestra que, por causa do terremoto, havia interrompido. Ele continuou novamente, exatamente na mesma frase - como se o terremoto não tivesse acontecido.

O anfitrião estava agora sem vontade de ouvir, não estava com disposição de entender porque todo o seu ser estava muito perturbado e ele estava com muito medo. Mesmo que o terremoto já tivesse ido embora, o medo ainda estava lá.

Ele disse: "Agora não diga nada, porque não serei capaz de compreender, não sou mais o mesmo. O terremoto me perturbou muito. Mas há uma pergunta que eu gostaria de fazer. Todos os outros hóspedes haviam escapado, eu também estava na escada, já quase correndo, quando de repente me lembrei de você. Vendo você aqui sentado com os olhos fechados, sentado tão tranquilo, tão imperturbável, me senti um pouco covarde - sou o anfitrião, eu não deveria correr. Então voltei e estou aqui sentado ao seu lado. Gostaria de fazer uma pergunta. Nós todos tentamos fugir. O que aconteceu a você? O que você me diz sobre o terremoto?"

O mestre disse: "Eu também fugi, mas você fugiu para fora, eu fugi para dentro. Sua fuga é inútil porque para onde quer que você esteja indo lá também há um terremoto, então é sem sentido, não faz sentido. Você pode alcançar o sexto andar ou quinto ou o quarto, mas lá também há um terremoto. Eu fugi para um ponto dentro de mim onde nenhum terremoto jamais chega, não pode chegar. Entrei em meu centro.

Isso é o que Lao Tzu diz: "Agarre-se firmemente ao princípio da Quietude". Se você é passivo, aos poucos vai se tornar consciente do centro dentro de você. Você o tem carregado o tempo todo, ele sempre esteve aí, só que você não sabe, não está alerta.

Uma vez que você fique alerta sobre ele, a vida em sua totalidade se torna diferente. Você pode permanecer no mundo e fora dele porque você está sempre em contato com o seu centro. Você pode passar por um terremoto e permanecer imperturbável porque nada toca você.

No Zen eles têm um ditado que diz que um mestre Zen que tenha alcançado o seu centro interior pode passar por um riacho, mas a água nunca toca seus pés . Isso é belo. Não quer dizer que a água nunca toca seus pés - a água vai tocá-los -, refere-se a algo sobre o mundo interior, o profundo interior. Nada o toca, tudo permanece fora, na periferia, e o centro permanece intocado, puro, inocente, virgem.
Osho, em "Living Tao"
                                                                                            Extraído de Palavras de Osho.

sábado, 5 de março de 2011

Osho - Seja voce mesmo.

Querido Osho,



Quando estou só e leio seus livros ou ouço suas fitas, eu me sinto imensamente feliz, choro e danço sozinho. Mas eu não consigo expressar meus sentimentos na presença dos outros, embora eu queira muito fazer isso. Por favor, diga-me o que fazer.


“Kishor Bharti, este é um dos problemas humanos básicos, porque toda a nossa educação cria uma divisão na nossa própria mente. Você tem que mostrar uma face para a sociedade, para a multidão, para o mundo – ela não precisa ser a sua face verdadeira; na verdade ela não deve ser a sua face verdadeira. Você tem que mostrar a face que as pessoas gostam, que as pessoas apreciam, que seja aceitável para elas – para suas ideologias e suas tradições – e a sua face original, você tem que guardá-la para si mesmo.


Essa divisão o torna muito desconectado porque a maior parte do tempo você está na multidão, encontrando pessoas, se relacionando com pessoas – muito raramente você está só. Naturalmente, as máscaras se tornam muito mais parte de você do que a sua própria natureza.


E a sociedade cria um medo em todo mundo: o medo da rejeição, o medo de que alguém possa rir de você, o medo de perder a respeitabilidade, o medo do que as pessoas dirão. Você tem que se ajustar a todo tipo de pessoas cegas e inconscientes. Até agora, esta tem sido a nossa tradição básica em todo o mundo: não se permite a ninguém ser ele próprio. E é por causa disso que o problema surge – este é um problema de todo mundo.


Você está perguntando, ‘Quando estou só e leio seus livros ou ouço suas fitas, eu me sinto imensamente feliz, choro e danço sozinho. Mas eu não consigo expressar meus sentimentos na presença dos outros, embora eu queira muito fazer isso. Por favor, diga-me o que fazer’


No momento em que o outro está na sua frente, você está pouco preocupado consigo mesmo; você está mais preocupado é com a opinião que ele terá a seu respeito. Quando você está só no seu banheiro, você se torna quase igual a uma criança – algumas vezes você faz caretas diante do espelho. Mas se você de repente percebe que está sendo observado pelo buraco da fechadura, até mesmo por uma criancinha, imediatamente você muda: você volta novamente ao seu velho e comum ego – sério, sóbrio, como as pessoas esperam que você seja.


E a coisa mais incrível é que você tem medo daquelas pessoas e elas têm medo de você – todo mundo tem medo de todo mundo. Não se permite a ninguém seus sentimentos, sua realidade, sua autenticidade – mas todo mundo quer isso, porque é um ato muito suicida continuar reprimindo a sua face original.
Você não está vivendo; ao contrário, você está simplesmente representando. E porque todo mundo está observando, os seus prolongados séculos de inconsciência o puxam para trás: não se expresse, não saia das máscaras de sua personalidade. Todo mundo está se escondendo atrás de alguma coisa falsa – isso machuca.


Ser desonesto e hipócrita consigo mesmo é a pior punição que você pode se dar.
E você não vai fazer algo prejudicial a quem quer que seja – você simplesmente quer chorar e suas lágrimas serão de alegria; você quer dançar e isto não é pecado, nem é crime. Você simplesmente quer compartilhar a sua felicidade – você está sendo generoso. Apesar disso, o medo é de que as pessoas possam não aceitar a sua felicidade. Alguém pode dizer que ela é falsa, que você está apenas representando, podem dizer que você está hipnotizado
 .
Uma coisa estranha é que se você está miserável, ninguém lhe diz coisa alguma, você está perfeitamente encaixado. Mas onde todo mundo é miserável, você fica fora de sintonia com a multidão se, de repente, começar a dançar.

Você quer expressar a sua alegria, mas não é corajoso o suficiente para estar só... Mas, na verdade, quem vai se importar? No máximo, talvez as pessoas pensem que você está um pouco maluco, e uma vez que elas aceitem que você está um pouco maluco, então não há do que ter medo.


O que há de errado em ser chamado de maluco? O mundo tem conhecido tantas pessoas malucas bonitas... Na verdade, todas as grandes pessoas no mundo têm sido um pouco malucas – malucas aos olhos da multidão.
Elas expressaram suas maluquices porque elas não eram miseráveis, eles não estavam na ansiedade, não tinham medo da morte, não se preocupavam com trivialidades. Elas estavam vivendo cada momento com totalidade e intensidade, e por causa dessa totalidade e intensidade, suas vidas se tornaram lindas flores – cheias de fragrância, amor, vida e riso.



Mas isto certamente machuca milhões de pessoas que estão ao seu redor. Elas não podem aceitar a idéia de que você alcançou alguma coisa que elas perderam. Elas tentarão de toda maneira tornar você miserável, para destruir a sua dança, para tirar a sua alegria – de modo que você possa voltar novamente ao rebanho.


É preciso reunir coragem. E se as pessoas disserem que você está maluco, curta a idéia. Diga a elas, ‘Vocês estão certos; neste mundo somente as pessoas malucas podem ser felizes e alegres. Eu escolhi a loucura com alegria, com felicidade, com dança; vocês têm escolhido a sanidade com miséria, angústia e inferno – nossas escolhas são diferentes. Seja são e permaneça miserável; mas deixe-me só na minha loucura. Não se sintam ofendidos; eu não estou me sentindo ofendido por vocês – tantas pessoas sãs no mundo e eu não estou me sentindo ofendido.’


Isto é apenas uma questão de pouco tempo. Uma vez que eles o aceitem como sendo maluco, logo deixarão de se procupar com você; então você poderá entrar na luz completa com seu ser original – você pode abandonar todas as suas falsidades.


OSHO - The Hidden Splendor - Cap. 15(parte)
Tradução: Sw. Bodhi Champak

Acesse este link para ouvir uma música  que fala sobre isto : Balada de um louco

domingo, 31 de outubro de 2010

Osho - A única barreira para o autoconhecimento


      O sufismo é uma alquimia, a ciência da alma interna. Ele é uma experimentação em consciência. Somente o resultado define se o que você estava fazendo era certo ou errado. Não existe outra maneira de definir isto.
      As filosofias continuam dando voltas em círculos, elas nunca levam você a lugar algum. O sufismo está cansado de filosofias. Na verdade, todos os grandes místicos estão cansados de filosofias. É por causa do lamaçal das filosofias e suas confusões que as pessoas estão impedidas de conhecer aquilo que lhes é direito conhecer. Você não perde Deus por causa de seus pecados, mas sim devido ao que você chama de conhecimento.
      O sufismo é uma experimentação para uma certa experiência. Ele não é um caminho de crença, mas de conhecer, de experienciar. Ele é existencial. Experiência de que? Experiência de si mesmo. Ele não é especulação por especulação. Ele tem uma metodologia que resulta na mais sublime de todas as experiências – chame isso de Deus, Nirvana, moksha, liberação, ou o que você quiser. É a experiência mais sublime de todas. É a maior experiência na vida. E sem esta experiência, ninguém jamais sente qualquer contentamento, não consegue sentir. O significado de estarmos aqui é para alcançarmos esta experiência. Este é o nosso potencial, ele tem que se tornar real. Esta é a nossa semente: ela tem que desabrochar em todas as cores e fragrâncias. E a não ser que a semente se torne uma flor, nós permaneceremos na dificuldade, no desconforto, ansiando por alguma coisa sem saber exatamente o que é. Procurando, tateando no escuro...
      O homem permanece procurando, tateando no escuro. E a procura só termina com Deus e nunca de outra maneira. O que é Deus? A experiência do seu próprio centro interior. Deus não está lá. Deus está aqui, dentro do seu coração, pulsando, respirando, consciente. Deus está muito perto.
      Ramana Maharshi diz: Autoconhecimento é uma coisa fácil, a coisa mais fácil que existe. Porque ele está tão próximo! Ele já está aí, ele sempre esteve aí. Basta uma olhada, basta ligar, e você já não será mais um pedinte, terá alcançado a qualidade de imperador, e você será empossado, será coroado, e se tornará um rei. Basta uma olhada para dentro... Mas isto é o que os Sufis dizem. Ramana é um Sufi.
      Eu estou usando a palavra ‘Sufi’ no significado mais amplo da palavra. (Neste sentido,) Buda é um Sufi, Jesus é um Sufi, Ramana é um Sufi. Por ‘Sufi’ eu quero dizer aquele que está enfastiado de filosofias e que começou a procurar por aquilo que é verdadeiro, aquele que não mais se satisfaz com alimento sintético e está à procura de nutrição verdadeira.
      Ramana diz: Autoconhecimento é uma coisa tão fácil quanto qualquer outra coisa fácil que exista. Mas, exatamente o oposto disso está nesta frase de Emanuel Kant, um grande filósofo: ‘A metafísica é um chamado à razão para empreender novamente a mais difícil de todas as tarefas que é o autoconhecimento.’
      A filosofia torna isto difícil, muito difícil, quase impossível – porque a filosofia se movimenta cada vez mais distante, bem longe disto. Saber a respeito do Ser não é conhecê-lo; saber a respeito de Deus não é conhecer Deus – como pode o ‘a respeito de’ ser aquilo. A respeito, a respeito... Você segue em círculos. Isto se torna impossível.
      Quanto mais você se torna esperto, ardiloso, calculista, a respeito do a respeito, você será levado a se perder. Não é uma questão de saber a respeito do Ser; é simplesmente uma questão de conhecê-lo, estar consciente, não é uma questão de se pensar a respeito dele, mas de estar centrado nele. Sentando-se silenciosamente nele, ele é revelado.
      Ramana está certo, ele tem que estar certo, pois ele conhece. Emanuel Kant não está certo, ele não pode estar certo, pois ele nunca conheceu o Ser. Embora ele tenha tentado e trabalhado arduamente – ele foi um dos intelectos mais aguçados que existiu. Sua perspicácia não pode ser colocada em dúvida. Sua lógica era perfeita. Mas, no que se refere a seus insights, ele era cego.
      É como um homem cego pensando a respeito da luz – é certo que será impossível. Como pode um cego pensar a respeito da luz? (...)
      Os Sufis acreditam no ver. Ver é fácil; pensar é difícil. Se você tiver ouvidos, saberá o que é música, mas se não tiver ouvidos, como poderá pensar a respeito de música? De que maneira? É impossível. Não existe maneira de comunicar a você o que é música. Se você tem olhos, você conhece as cores e a beleza de um arco-iris. Mas se você não tiver olhos, nem mesmo o maior dos poetas poderá lhe dar uma idéia do que é um arco-iris, é impossível.
      Os Sufis não acreditam no pensar: eles acreditam no ver.
      Você deve ter ouvido o famoso ditado: ver é crer. É exatamente isto o que os Sufis dizem: ver é crer.
      Um famoso ditado Sufi diz: aquele que conhece os outros, é erudito; aquele que conhece a si é sábio. Ser erudito é fácil, para ser sábio tem que ter vísceras, coragem. Por que? Por que no mundo é preciso ser corajoso para conhecer a si? Existem razões. 

      A primeira razão é: existe um medo de que se você mergulhar em si mesmo, poderá não encontrar alguém lá...E de certa maneira este medo está certo. Você não vai mesmo encontrar alguém lá. Esta apreensão está certa.
      Se o Naresh entrar em si, não vai encontrar o Naresh lá. Se a Astha entrar em si, ela não vai encontrar Astha lá. O mesmo com a Sudha e com o Viyogi. Alguma coisa vai ser encontrada lá, mas é algo que não se define, é algo que não se expressa em palavras. E este algo não é sua posse; este algo é tanto seu quanto é de todo mundo.
      Você encontrará algo, mas será o centro universal. Você não encontrará qualquer indivíduo lá, nenhum ego será encontrado. Por isto, o medo. Você irá desaparecer. No autoconhecimento você irá desaparecer completamente. Por isto as pessoas conversam a respeito dele, perguntam a respeito dele,  lêem  livros a respeito, mas nunca entram. Um medo inconsciente impede seu caminho.
      E o homem moderno particularmente tem muito mais medo. O homem moderno é freqüentemente levado ao desespero porque ele tem medo de que o Ser não exista em definitivo ou que ele seja uma máquina nazista, um robot Skineriano, uma barata Kafkiana, um rinoceronte de Ionesco ou uma paixão inútil Sartreana. Todos esses medos explodiram na mente moderna.
      Quem sabe? Quando você mergulhar em si, poderá encontrar a barata Kafkiana. Existe uma parábola de Kafka:
      Certa manhã ele acordou e descobriu que era uma barata. Deve ser um sonho, ele deve ter acordado dentro de um sonho. E não era apenas isto, a barata estava de pernas para o ar, e ele conseguia ver aquelas pernas se movendo no ar, e ele não conseguia se virar para posição certa, ele estava de costas. E você pode imaginar... a miséria do homem, a agonia e a náusea. E ele tentava arduamente, mas parece que não havia jeito de se virar. Uma grande barata ocupando toda a cama.
      O homem moderno tem ainda mais medo. Quem sabe no que você vai tropeçar quando mergulhar em si? Pesadelos, monstros... Quem sabe o que está lá dentro? Por que abrir a caixa de Pandora? Mantenha-a firmemente fechada e sente-se em cima. Isto é o que todo mundo está fazendo. E, sob certo sentido, o medo está certo – mas somente sob certo sentido.
      No começo você encontrará baratas, rinocerontes, répteis e todo tipo de coisas horríveis – porque estas são as coisas que você esteve reprimindo em si mesmo, estas são as coisas que você não permitiu. Você reprimiu a raiva, o ciúme, a possessividade, o ódio. Você reprimiu a violência e o assassinato. Todas estas coisas estão ali. Esta é a barata que está dentro de você. A violência tornou-se uma perna, a possessividade tornou-se outra e o ciúme uma outra mais...
      Quando mergulhar dentro de si, você terá que encarar tudo isto. Naturalmente, esta não é a história toda. Se você puder encarar a barata, se você puder ir cada vez mais fundo, sem qualquer medo, e observar tudo o que estiver acontecendo, e lembrando-se que ‘eu sou apenas um observador, uma testemunha a tudo isto. Eu não posso ser a barata porque eu posso ver...’ o que você consegue ver não é você.
      Guarde isto como uma chave, uma lembrança constante: tudo o que você vê, não é você. Você vê a raiva? Então você não é ela. Você vê a fome? Então você não é ela. Você vê a sexualidade? Então você não é ela. Você é aquele que testemunha tudo isto. Lembre-se da testemunha e, pouco a pouco, todas as baratas desaparecerão, assim como todos os rinocerontes e tudo o mais que é feio.
      O testemunhar é um fenômeno tamanho que dissolve tudo que é feio. Pouco a pouco, somente a testemunha permanece. Mas esta testemunha não será você; ela é Deus. Esta testemunha não pode ser confinada em um Eu – ela é puro ser.
      Há poucos dias eu lhes disse que existem duas inscrições gravadas no templo de Apolo em Delfos: ‘Conheça-te a ti mesmo’ e ‘Nada em excesso’. Há uma relação entre estas admoestações.  O homem era aconselhado a conhecer a si mesmo, e no seu conhecer ele deveria evitar extremos. Quais são os extremos?
      Dois são os extremos: o inferno e o céu, as baratas feias e as lindas borboletas. Você tem que permanecer uma testemunha de ambas. Você não é nem a barata nem a borboleta com cores psicodélicas. Nem isto nem aquilo – neti neti. Você é apenas o observador, o espelho que reflete a barata e que reflete a borboleta.
      De acordo com os sacerdotes de Delfos, um extremo era a tentativa de ir além de sua finitude, agir como se fosse infinito. Isto acontece. Se você for para dentro, ou começa a sentir que é alguma coisa como uma criatura do inferno, ou começa a sentir que você é um anjo, uma criatura celestial. Mas em ambos os casos você novamente criou um ego. Evite os extremos, porque o ego consegue existir apenas com os extremos. Ele morre no meio. O meio dourado é a sepultura do ego.
    Os gregos costumavam chamar estes extermos de hybris. Este termo designava os extremos e quer dizer: uma afronta contra a natureza das coisas. Não comece a pensar que você é celestial, que você é um mensageiro de Deus, que você foi especialmente enviado ao mundo para entregar a última mensagem, que você é o filho de Deus, que você é o único mensageiro, o único verdadeiro, o único Mestre, o único Mestre perfeito... Evite estas tolices. Deus vem através de muitos caminhos, e suas mensagens continuam filtrando no mundo. Não apenas através de Jesus, Buda e Maomé. Mesmo quando um cuco canta, ele é a mensagem de Deus. E Jesus não é o único filho de Deus, caso contrário, todo o resto do mundo seria órfão.
      Cada árvore, cada animal, cada pássaro é tão filho de Deus quanto qualquer um outro. Não que somente Maomé seja o profeta – os rios e as montanhas, todos eles são seus mensageiros e seus profetas. Sua mensagem continua sendo derramada em todos os lugares, em todos os nichos, em todos os cantos. Assim, não entre nessa idéia, senão o ego entrará por detrás da porta, e irá criar problemas para você novamente. E você terá perdido o autoconhecimento.
      Os gregos têm uma palavra especial para isto – eles chamam isto de hybris. O outro extremo é a tentativa de agir como se o indivíduo não fosse um membro da sociedade, tornando-se um monge, entrando na solitude. Você é parte da sociedade, você nasceu na sociedade, você vive em sociedade. A consciência social é como um oceano para você – você é um peixe neste oceano. Você não consegue viver sem ele. E aqueles que tentam viver sem a sociedade quase sempre se tornam pervertidos. Sim, de vez em quando é bom descansar por uns dias num retiro nas montanhas, só para um descanso, mas você tem que voltar para o mundo. Sim, é bom meditar por algumas horas, mas depois você tem que voltar para o mundo. Não se torne um monge. Não comece a pensar que você está separado, porque o autoconhecimento não pode ser alcançado na separação. Ele é alcançado na união.
      E a união mais íntima possível é com outra pessoa. Como você pode estar em comunhão com as árvores se você não consegue estar em comunhão com pessoas? Como você pode estar em comunhão com as pedras se você não consegue estar em comunhão nem mesmo com seu amado ou sua amada? Isto é absurdo! Toda esta idéia é absurda. Um homem está dizendo, ‘Eu estou deixando minha esposa e minhas crianças porque elas são uma prisão para mim e eu estou indo para as montanhas, para estar em comunhão com as montanhas.’ O que ele está falando é besteira. Não será possível para ele estar em comunhão com as montanhas, pois elas falam uma linguagem, totalmente diferente. Elas estão muito atrás da consciência humana. Para se relacionar com elas você terá que se tornar uma montanha – somente então você conseguirá se relacionar.
      Se você não consegue se relacionar com seres humanos que são tão evoluídos como você, que pertencem ao mesmo mundo de linguagem, que pertencem ao mesmo nível de vida, você não conseguirá se relacionar com ninguém mais, em lugar algum. Não seja tolo.

      Os gregos foram muito específicos a respeito destes dois extremos. Aquele que vivia fora da sociedade era chamado de um ser privado. Eles tinham uma palavra bonita para isto, eles chamavam a pessoa de idios. É desta palavra que surgiu ‘idiota’. Idios era o nome para tal ser. Se você fosse de verdade para fora da sociedade, então se tornaria um idiota. Esta é a minha observação.
      Eu tenho visto pessoas vivendo anos e anos nas montanhas e elas se tornam idiotas. Elas têm que se tornar idiotas, pois lá não há qualquer desafio, nenhum ser humano para provocá-las, nenhum desafio humano para aguçar suas inteligências. É muito provável que elas se tornem idiotas. O crescimento não é possível lá.
      Elas podem viver num silêncio, mas o silêncio será das montanhas, não é uma realização delas. A não ser que você consiga viver o silêncio na praça do mercado, ele não será uma realização sua. Ao retornar do Himalaia você, de repente, ficará chocado, pois continuará sendo a mesma pessoa que era antes de ter ido para lá, talvez você esteja até pior. Você não será capaz de tolerar o barulho, o tumulto do mundo. Que tipo de realização é esta? Em lugar de se tornar mais capaz, mais integrado, você terá se desintegrado, terá se enfraquecido. Você não ganhou força.
      ‘Conheça-te a ti mesmo’, mas nesse seu conhecer, não se torne um híbrido ou um idiota! O ego fica inflado – ‘Eu sou uma alma’, ‘Eu sou infinito’, ‘Eu sou eterno’, ‘Eu sou isto e aquilo’... Se o eu continua presente, então você nada é. Quando o Eu se vai, então sim, Deus está, a imortalidade está, mas nada disso você pode possuir, nada disso você pode guardar em seu caixa-forte. E isto nada tem a ver com você! Isto pertence à existência. E você também pertence à existência.
      Este é o primeiro extremo a ser evitado.
      E o segundo extremo é: não se torne um idiota. Não comece a escapar das pessoas, porque todo crescimento está ali com as pessoas, relacionando-se com as pessoas, aceitando os desafios e respondendo a tais desafios.
      Autoconhecimento é um conceito muito estranho, e você precisa compreendê-lo, porque este é todo o trabalho de um Sufi: como conhecer a si mesmo. A expressão ‘si mesmo’ é uma contradição em termos, porque no conhecimento pelo menos duas coisas são necessárias: o sujeito que conhece e o objeto que está sendo conhecido. E no autoconhecimento não existem duas coisas, mas apenas uma. Como chamar isto de autoconhecimento? Quem é o sujeito que conhece e quem é o objeto que é conhecido? A palavra tem que ser usada porque nós não temos outra melhor para isto. Mas ela tem que ser usada muito conscientemente, sabendo que ela não significa extamente o que ela diz.
      Autoconhecimento é um tipo de conhecer, mas não de conhecimento.É um tipo de consciência, luminosidade, mas não conhecimento. Ele não pode ser conhecimento porque isto requer duas coisas.
      Este problema de autoconhecimento foi resumidamente e metaforicamente declarado por Simone de Beauvoir. Ela diz, ‘É fácil dizer: Eu sou Eu. Mas, quem sou Eu? Onde encontrar a mim? Eu teria que estar do outro lado de todas as portas. Mas quando sou eu quem bate na porta, o outro, do outro lado, se torna silencioso. Para conhecer o ser, o ser deve estar em ambos os lados de uma mesma porta. Mas quando o ser que bate é o sujeito que conhece e está de um lado da porta, não há ninguém do outro lado da porta para abri-la. E quando existe um ser do outro lado, do lado do objeto que está sendo conhecido, para abrir a porta, não há ninguém do lado do sujeito que conhece para bater na porta! Então, o que se deve fazer?’
      Entendeu? Se você é o sujeito que conhece, então quem estará ali para ser o objeto conhecido? E se você é o objeto conhecido, quem estará ali como sujeito para conhecer? Isto é o que Beauvoir quer dizer, que você tem que estar de ambos os lados da porta. Por exemplo, se você está batendo na porta e você é o único ali, não haverá ninguém do lado de dentro para responder à sua batida. Se você está do lado de dentro da porta e pronto para abri-la, então não haverá ninguém do lado de fora para bater nela. Você terá que estar em ambos os lados. Só assim haverá alguma comunicação e algum conhecimento.
      Isto é impossível. Como você pode estar nos dois lados da porta? Isto parece mais um koan Zen, e é. Este é o koan básico. A partir deste koan, milhares de outros koans foram criados. Então, o que se deve fazer?
      Alguém dirá: ‘continue batendo!’ Este é o caminho da vontade. ‘Continue batendo!’ Jesus disse: Peça e lhe será dado. Bata e a porta lhe será aberta. Procure e você encontrará.
      Esta é uma resposta: Continue batendo... persevere, seja paciente. Não se sinta frustrado se a porta não está abrindo. Continue batendo, continue batendo...Um dia a porta se abrirá. Esta é uma resposta.
      A outra resposta é: ‘Pare de bater e espere!’ Este é o caminho da entrega, da devoção, do amor, da prece. O primeiro é o caminho do iogue que funciona através do poder da vontade. O segundo é o caminho do devoto que entrega e espera, confia e ora.
      Mas eu lhe digo: Olhe... Não existe nenhuma porta para bater e ninguém para bater nela. E mais, a porta está aberta. Ela tem estado aberta por todo o tempo, desde o começo. E não existe nenhum ser para ser conhecido e nenhum autoconhecimento. Conhecer, naturalmente, existe, mas nada como autoconhecimento.
      Isto foi o que a grande mística Rabia disse para Hasan:
      Hassan costumava orar todos os dias diante do mosteiro, sentando-se na rua. E ele chorava em prantos, olhava para o céu e dizia, ‘Deus, abra a porta! Eu tenho esperado há tanto tempo. Não foi o suficiente? Terei eu que passar por mais testes? Você ainda não me testou o suficiente? Abra a porta! Eu estou chorando. Eu estou em prantos. Eu estou gritando – abra a porta!’
      Esta era a sua constante prece, toda manhã e toda tarde. Onde quer que estivesse, ele ia ao mosteiro, sentava-se na rua e orava.
      Rabia estava passando um dia. Ela bateu na cabeça do Hassan e disse, ‘Que tolice você está falando? A porta está aberta! Mas você está tão absorvido em seus gritos ‘Abra a porta! Escute-me, Senhor. Por que você não abre a porta?’ Você está tão ocupado com essas tolices, que você não consegue ver que a porta está aberta. Ela sempre esteve aberta’.
      Eu concordo com Rabia... Tudo está disponível. Você não precisa lutar. Você nem mesmo precisa se entregar. Porque a entrega é a polaridade oposta à luta. Você tem apenas que estar no meio. Tem que estar no estado de não-fazer, nem lutar nem se entregar. E de repente você será capaz de ver que a porta está aberta. Você nunca foi a nenhum outro lugar. Você sempre esteve aqui. Onde mais você poderia ir? Estar dentro é a sua natureza. E então tudo é revelado como um relâmpago. De repente a escuridão desaparece e tudo é luz.
      Mas não existe ser algum para ser encontrado. O conhecer acontece, mas não um autoconhecimento. Por isto o medo. Lá, bem no fundo, em algum lugar no inconsciente, você sabe perfeitamente bem que ‘Se eu for para dentro, eu não encontrarei a mim mesmo. É melhor não ir para dentro, assim poderei continuar acreditando que ‘Eu sou!’
      Este ‘Eu’ é a única barreira. Este ‘Eu’ é a única ignorância. Este ‘Eu’ é o único pecado.

                                             OSHO – The Perfect Master – vol. II – Capítulo 1
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